Música

O aprendizado
Capítulo I da série especial JACOB DO BANDOLIM 100 anos

sexta, 09 de fevereiro de 2018

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Neste ano de 2018, em 14 de fevereiro, o Brasil estará comemorando o centenário de um dos grandes nomes da música brasileira, Jacob Pick Bittencourt, o nosso Jacob do Bandolim.

O Instituto Jacob do Bandolim, Instituição referência na preservação e divulgação da obra do mestre, reuniu, durante décadas, um imenso acervo em áudio, iconografia e informações biográficas sobre a obra de seu homenageado.

JACOB PICK BITTENCOURT, nasceu em 14 de fevereiro de 1918, no RJ. Filho único, do capixaba Francisco Gomes Bittencourt e da polonesa Raquel Pick, morava na casa de n° 97, da Rua Joaquim Silva, na Lapa, onde, com restrições para ir brincar na rua, costumava, da janela, ouvir um vizinho francês cego tocar um violino.
 
Esse foi o seu primeiro instrumento. Ganhou-o da mãe aos 12 anos, mas, por não se adaptar ao arco do instrumento, passou a usar grampos de cabelo para tocar as cordas. Depois de várias cordas arrebentadas, uma amiga da família disse; "..o que esse menino quer é tocar bandolim..". Dias depois, Jacob ganhou um bandolim, comprado na Guitarra de Prata. Era um modelo "cuia", estilo napolitano, e segundo o próprio Jacob: " ..aquilo me arrebentou os dedos todos, mas eu comecei...".
 
Não teve professor, sempre foi autodidata. Tentava repetir no bandolim trechos de melodias cantaroladas por sua mãe ou por pessoas que passavam na rua. Aos 13 anos, da janela de sua casa, escutou o primeiro choro, É do que há - composto e gravado pelo famoso Luiz Americano -, tocado no prédio em frente, onde morava uma diretora da gravadora RCA Victor. "Nunca mais esqueci a impressão que me causou", afirmaria Jacob, anos mais tarde. Raramente saia à rua. Seu negócio era ir a escola e ficar em casa tocando bandolim. Costumava frequentar a loja de instrumentos musicais Casa Silva, na rua do Senado, n° 17, onde, para variar, ficava palhetando os bandolins.
Um dia, um senhor que tinha ido consertar o violão ouviu Jacob tocar e se interessou. Deu-lhe um cartão e convidou-o para fosse a Radio Phillips. Quando leu o cartão, Jacob ficou atônito. O convite fora feito pelo próprio Luiz Americano, grande clarinetista, compositor e intérprete do primeiro choro que tinha ouvido. Jacob chegou a ir com um amigo violonista a porta da emissora mas, talvez por não se considerar ainda preparado, desistiu e rasgou o cartão.
 
Em 20 de dezembro de 1933, se apresentou pela primeira vez, ainda como amador, na Rádio Guanabara, com um grupo formado por amigos, o Conjunto Sereno. Apresentou o choro "Aguenta Calunga", de autoria de Atilio Grany, flautista paulista, gravado pelo próprio autor naquele mesmo ano. Jacob não gostou do seu desempenho e resolveu praticar mais. Nessa época, ainda tocava de ouvido. Certa vez, na mesma Casa Silva, um conhecido intérprete de guitarra portuguesa, Antonio Rodrigues ouviu Jacob tocando violão. Provavelmente, os baixos acentuados da sua "levada" de choro impressionaram o fadista, que o convidou para acompanhá-lo ao violão em suas apresentações.
 
Em 5 de maio de 1934, Jacob se apresentou no Programa Horas Luzo-Brasileiras, na Rádio Educadora e no mesmo dia à noite, no Clube Ginástico Português, ao lado do guitarrista Antonio Rodrigues e dos cantores de fado Ramiro D' Oliveira e Esmeralda Ferreira. Jacob ficou surpreso com o interesse dos fadistas por seu violão. Além disso comparecia a saborosas bacalhoadas e conheceu famosos artistas portugueses como a cantora Severa e o guitarrista Armandinho. Boa comida, reconhecimento, experiência, mas nada de cachê. A fase fadista durou pouco. O bandolim chamava por Jacob.



Texto fornecido pelo Instituto Jacob do Bandolim.

Este é o primeiro de 10 artigos sobre a vida e carreira de Jacob do Bandolim, um dos maiores nomes da memória musical brasileira. No próximo contaremos sobre a sua carreira. Enquanto isso, não perca um capítulo destes incríveis fatos notáveis! Clique nos links abaixo e navegue por esta série especial:

Capítulo 1 - O Aprendizado (lendo agora)
Capítulo 2 - A Carreira
Capítulo 3 - As gravações
Capítulo 4 - Suíte Retratos
Capítulo 5 - A televisão
Capítulo 6 - O Época de Ouro

Capítulo 7 - Os Saraus
Capítulo 8 - O arquivo de Jacob

Capítulo 9 - Um coração rasgado pela emoção
Capítulo 10 - Jacob através do tempo




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