Henrique Cazes

Tárik de Souza

Jornalista e crítico musical

Supersônicas

Cidreira, o solo do baiano múltiplo
Estreia com Japanese food

sexta, 16 de junho de 2017

Ex-integrante do grupo Velotroz, o músico, compositor e produtor baiano Giovani Cidreira estréia solo, aos 26 anos, em “Japanese food” (Natura Musical/ Balaclava) dinamitando rótulos.

Com exceção de “Eu não presto” (Caio Araujo) todas as composições são dele (algumas em parceria com Paulo Diniz), responsável ainda pelos vocais, piano, teclados sintetizadores, violão e baixo, além da co-produção com Tadeu Mascarenhas e Nancy Viegas.

Sua onipresença no disco reverte em multiplicidade. As músicas se desdobram em climas, como “Um capoeira”, enunciada como um Milton Nascimento escoltado por sintetizador em câmera lenta, que desata em pop/rock, distante da ginga afro ancestral sugerida pelo título. “Movimento de espada” conclui num jazz free de sopros alucinados.

“Pássaro prata” (“meu amor despedaçado/ seu cantar partido ao meio/ que eu não quero ser pecado/ eu quero ser estrada”) encadeia uma guarânia com trompete mariachi. Violões etéreos costuram “Última vida submarina” a caminho da balada embaladora.

E as estilingadas de “Crimes da terra”, imprimem celeridade de trilha sonora sem happy end: “Em cada passo na prisão/ em qualquer cidade/ em qualquer homem que encontrar/ você não está com sorte”. 

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