Cultura

FREVO, das Origens à Modernidade: A Mistura que fez História

terça, 09 de outubro de 2018

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Outubro, o mês em que as cores vermelho, amarelo, azul e verde florescem no nordeste do nosso país para o mundo todo ferver de alegria. Essa energia frenética, com ritmo sincopado, é uma das danças mais vivas e brejeiras do folclore brasileiro, tornando-se um movimento de multidões, onde se confundem todas as classes sociais em promiscuidade democrática. Mas, como será que tudo chegou neste estado de ebulição?

No final do século XIX e início do século XX, uma nova manifestação cultural estava se formando no meio de dois grandes acontecimentos nacionais: a abolição da escravatura e a proclamação da república. Neste período, a rivalidade entre as bandas militares e os escravos – que tinham ganhado sua liberdade – se intensificou, tudo porque os escravos eram proibidos de se utilizarem da capoeira, pois havia a denuncia de assaltos pelos mesmos e interesses políticos por detrás das forças corporais. 

Neste momento, a cidade pernambucana fervia com as classes sociais populares se organizando no meio da expansão urbana do Recife. Com a força que emergia da grande massa popular liberta, a sociedade ganhava voz através de sua expressão artística, política e de combate, que se resumia no Frevo

Em contrapartida, tendo origem no dobrado, as fanfarras – que ganhavam vida através das bandas militares – começaram a fazer variações, influenciados pelo maxixe e polca, bem como as quadrinhas de origem europeia, fazendo uma mistura quente que borbulhou na conhecida Marcha Carnavalesca Pernambucana, o Frevo. E assim surgiu, no cenário musical, o ritmo acelerado, violento e frenético.

Essas Bandas de música tinham um caráter político e, enquanto tocavam, contratavam capoeiristas para irem dançando na frente, mascarando o objetivo principal de seus participantes no primeiro plano, pois o posicionamento dos capoeiristas na frente das bandas serviam para defender os músicos, bem como os livrar de eventuais ataques dos grupos políticos rivais que vinham pelas vielas a tocar. Misturando luta com dança, a manifestação corporal do ato de frever tomou forma e se consolidou como performance característica da música pernambucana.

Assim nasceu o frevo, da luta e resistência, misturando ingredientes presentes em duas partes principais do Brasil: o Rio de Janeiro, que possuía as bandas Marciais e a Bahia que tinha os capoeiristas, porém o ponto de ebulição e fusão desses dois elementos tão distintos aconteceu somente no Estado onde as três estrelas, o arco-íris e o sol se juntam, mostrando que o nordeste é luta, tanto na dança quanto na música. Estava formada a unidade de um povo dentro da diversidade política, cultural e social.



Na próxima terça-feira, dia 16/10, a série especial do Tema do Mês de Outubro, "Frevo das Origens à Modernidade", estará de volta contando um pouco mais sobre as influências da capoeira na formação do Frevo, que é Patrimônio Imaterial da Humanidade.



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