Supersônicas

“Jobim Orquestra e Convidados” traz novo elenco de interpretes do maestro soberano
por Tárik de Souza

domingo, 11 de fevereiro de 2018

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Gravado entre os dias 15 de maio e 13 de junho de 2017, no Estúdio Biscoito Fino e nos dias 19 e 20 de maio, na Cidade das Artes, no Rio, no ano dos 90 de nascimento do homenageado, o CD/DVDJobim Orquestra e convidados (Biscoito Fino), de Paulo Jobim e Mario Adnet pode ser encarado como uma seqüência “nova safra” do anterior da dupla, “Jobim sinfônico”, vencedor do Grammy Latino, de 2004. No primeiro projeto, cintilava apenas a voz majestosa de Milton Nascimento, em meio a densas faixas orquestrais. O esmero sinfônico persiste na nova incursão na obra do maestro soberano, arquitetada com 35 músicos. Só que o repertório (alguns temas são notórios) foi entregue a jovens gargantas como a do lapeano Alfredo del Penho. Ele leva o clássico fundador “Chega de saudade” (parceria com Vinicius de Moraes), na voz e violão 7 cordas. Vicente (filho de Claudio) Nucci e Dora (filha de Jaques) Morelenbaum duetam na comovente “Eu te amo” (parceria com Chico Buarque). 

A imagem pode conter: 8 pessoas, pessoas sorrindo, pessoas em pé e atividades ao ar livreFonte da Imagem: Facebook | Foto: Leo Aversa

O novato paulista de Poá, Luiz Pié, de timbre aveludado, debulha “Chovendo na roseira”, envolto no arranjo original do maestro alemão Claus Ogerman, falecido meses antes da gravação. Ele é homenageado no depoimento de Paulo Jobim, responsável pelos violões centrais das instrumentais “A Mantiqueira range” (com Ronaldo Bastos) e a fulgurante “Valse”, além do vocal de “O amor em paz” (com Vinicius). A valsa “Olha Maria” (outra com Chico Buarque) flutua na voz de Julia Vargas. Alice (filha de Danilo) Caymmi encarrega-se do “choro canção”, como Jobim o denominava, “Falando de amor”.

E depõe no DVD: “Antes de ouvir (o avô) Dorival Caymmi eu já ouvia Tom Jobim. Para mim é pré tudo, inconsciente. Dou o meu melhor, porque é uma questão de vida”, exalta.

Filho de Paulo, neto de Tom, Daniel Jobim, desvela em “O boto” (com refrão de Jararaca) que o compositor brincou estar “muito louco” quando compôs a melodia, de introdução altamente dissonante. “Águas de março” desce cristalina na voz educada e violão certeiro de Antonia (filha de Mario) Adnet. Seu pai enfrenta ainda maior pedreira, “Desafinado” (com Newton Mendonça), onde assina voz, violão e arranjo. O violonista virtuose Yamandu Costa ficou com a rara “Um certo Capitão Rodrigo”, da trilha da obra de Érico Veríssimo. “Tudo isso é como revisitar um pouco a minha terra”, comoveu-se o sete cordas gaúcho. 



Fonte da Imagem: Biscoito Fino | Capa do Álbum "Jobim Orquestra & Convidados"

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