Henrique Cazes

Tárik de Souza

Jornalista e crítico musical

Supersônicas

Luiza Borges e o painel da estética carioca
por Tárik de Souza

quarta, 09 de agosto de 2017

Não é só São Paulo quem ostenta um elenco de novos criadores afiados que renovam a MPB, mesmo sem possibilidades de chegar à grande mídia, ocupada – salvo raras exceções – pelo comercial rasteiro. Gravado através de financiamento coletivo de nada menos de 150 apoiadores, “Certezas inacreditáveis” (Embolacha), o segundo CD solo de Luiza Borges, com direção musical, guitarras e violões de André Siqueira, desvela um painel da efervescência estética carioca.

O samba dissonante “Que nem Japiim”, de Thiago Thiago de Mello e Edu Kneip lanceta a questão: “Quem não sabe onde é a foz/ ou o manancial/ só vive perdido no atroz do banal/ quem não nasce pra albatroz/ há de viver pardal”. A mesma dupla é autora da igualmente inspirada faixa título (“na correnteza/ deixei a certeza/ de nunca crer”).

Thiago Amud fornece o letárgico “Cinema russo” (“abissal canção de musgo/ nevoeiro, sépia, quase pólen/ pela réstia do limbo, o gás do tempo/ um borrão de chumbo sobre a lua”) e o denso “Fardo” (“eu lhe acuso, natureza/ de me acorrentar em ciclos/ pra me semear de novo/ tantos vícios esvaídos”).

Batido no cavaco (Bernardo Diniz), o satírico “A fama e a fome” tem assinaturas de Mauro Aguiar e Pedro Ivo e texto incidental de “Tabacaria”, do heterônimo de Fernando Pessoa, Álvaro de Campos.

Mauro também é co-autor de “Irada” (“Paixão quando chega/ é ira de mar/ é sangue na guelra”), com João Nabuco, cerzida por flauta baixo e sax soprano de Carlos Malta. Pedro Sá Moraes e João Cavalcanti fabulam “A hora da estrela”, inspirada em Clarice Lispector. A única releitura, “Tempo rei”, de Gilberto Gil, conta com a bateria e o arranjo da solista em parceria com seu pai, Rodolfo Cardoso.

Lançamento dia 24 de agosto, na série Quintas no BNDES, no centro do Rio. 



Fonte da Imagem: http://bit.ly/2wuKOjZ 

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