Supersônicas

Mário Seve reúne estrelas da MPB na homenagem a Catulo da Paixão Cearense

quarta, 07 de março de 2018

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Personagem controvertido da implantação da MPB no começo da indústria musical, Catulo da Paixão Cearense (1866-1946) foi o mais famoso letrista do começo do século passado. Ele recebeu uma reverente homenagem produzida pelo saxofonista, flautista, compositor e arranjador Mário Sève (fundador dos grupos Nó em Pingo D’Àgua e Aquarela Carioca), inicialmente sob a forma de quatro espetáculos, “A paixão segundo Catulo- um olhar sobre a modinha e a canção brasileira”, apresentados no CCBB, em 2016. Com capa do mago Elifas Andreato, A paixão segundo Catulo sai agora em CD pelo selo SESC, e terá shows de lançamento em formato de sarau, dias 10 e 11 de março, no SESC Pompéia, em São Paulo.

A imagem pode conter: uma ou mais pessoas e textoFonte da imagem: Facebook

Nascido no Maranhão, o filho de Amâncio José da Paixão Cearense, aprendeu violino e violão (instrumento que conseguiu introduzir nos saraus da elite preconceituosa da época), mas notabilizou-se como poeta grandiloquente e hiperbólico, tributário do parnasianismo, que muitas vezes omitia o parceiro músico. Como na polêmica “Ontem ao luar”, versos que colocou no “Choro e poesia” do flautista Pedro de Alcântara, cuja melodia seria plagiada posteriormente no tema principal do filme “Love story”.  Ou o hino caboclo “Luar do sertão”, prefixo da rádio Nacional do Rio, uma recriação do tema de origem folclórica “Engenho de Humaitá”, recolhido por João Pernambuco, o pai do violão brasileiro, nem sempre mencionado como co-autor da canção.

No disco, “Ontem ao luar” (“se tu desejas saber o que é o amor e sentir o seu calor/ o amaríssimo travor do seu dulçor”) coube à modernista Joyce Moreno, e “Luar do sertão” (“Oh, que saudade do luar da minha terra/ lá na serra branquejando/ folhas secas pelo chão”) a Mariana Baltar e Claudio Nucci. A cantora Leila Pinheiro divide com Rodrigo Maranhão (solista de “Talento e formosura”) o megaclássico do choro “Flor amorosa” (melodia do fundador do gênero, Joaquim Antonio da Silva Callado) e sola os gongorismos de “Porque sorris?” (música de Juca Kalut) e “Os olhos dela” (com Irineu de Almeida). Alfredo Del Penho singra “Amenidade” e “Rasga o coração” (música de Anacleto de Medeiros), êxito vocal dos desbravadores Pepa Delgado e Vicente Celestino.  O pianeiro pioneiro Ernesto Nazareth também não escapou ao estro de Catulo, em temas como “Você não me dá” e “Sertaneja”, nas vozes de Carol Saboya e Lui Coimbra, e “O sertanejo enamorado”, com Claudio Nucci. Ele também é o vocalista principal da deliciosa “Caboca de Caxangá” (“quando eu saía do arraiá u só nascia/ i lá na grota/ já si uvia pipiando a acauã”), música de João Pernambuco, a única em linguagem matuta, utilizada por Catulo em vários livros de modinhas, que editou também com sucesso.




Para mais informações sobre o evento, acesse www.sescsp.org.br (clique aqui)


Fonte da imagem: Sesc SP | Arte de Elifas Andreato

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