Henrique Cazes

Tárik de Souza

Jornalista e crítico musical

Supersônicas

“O samba mandou me chamar”, avisa Zezé Motta em seu oitavo álbum solo

quarta, 11 de abril de 2018

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Após sete anos fora dos estúdios, a cantriz Zezé Motta volta a investir em sua face musical, iniciada como crooner na noite paulista, no início dos 70, seguida por um álbum dividido com o Seco & Molhado, Gerson Conrad, em 1975. Celebrizada por seu papel central no filme “Xica da Silva”, de Cacá Diegues, de 1976, ela participou de 35 novelas e mais de 40 filmes. Na música, acumulou sucessos diversificados como “Dores de amores”, “Magrelinha” (ambos de Luiz Melodia), “Rita Baiana” (da insólita dupla formada pelo maestro erudito John Neschling e o poeta, hoje acadêmico, Geraldo Carneiro), “Muito prazer, Zezé” (Rita Lee e Roberto de Carvalho), “Criola” (Moraes Moreira), “Pecado original” (Caetano Veloso).

Agora, ressurge num disco de gênero, seu oitavo solo, “O samba mandou me chamar” (Coqueiro Verde Records). Os arranjos são assinados pelo produtor Celso Santhana, e o lançamento será dia 30 de abril, no Theatro Net Rio, em Copacabana.

Maria José Motta não é neófita no ramo. Em 1979, estourou com sua gravação de “Senhora liberdade”, de Wilson Moreira e Nei Lopes. Também revisitou o samba canção na homenagem a Elizeth Cardoso em “Divina saudade”, além de prestar um tributo a sambistas menos ortodoxos como Jards Macalé e Luiz Melodia (“Negra melodia”). No novo disco, há duas participações, uma delas especialíssima, a de Arlindo Cruz, antes de sua internação desde março do ano passado, na faixa “Nós dois”, dele com Maurição, e a outra de Xande de Pilares (ex-Revelação) em “Alma gêmea” (André da Mata/ Mingo Silva/ Kinho). Zezé saiu da seara dos medalhões e gravou autores como Flavinho Silva (“Ficar a seu lado”, com Christiano Moreno), André Karta Markada (“Batuque de Angola”, com Juninho Mangueira), ambas sucesso em Portugal, por terem entrado na trilha da novela “Ouro verde”, que a cantriz estrelou em terras lusas. 

Foram escalados ainda Carlinhos da Ceasa (“Poeira varrida”, com Darcy Maravilha), Serginho Procópio (“A primavera se despede”, com Ferreira Meu Bom), Marquinhos PQD (“Vou te provar’’, com André Renato), Flavio Lima (“Samba da amizade”) e Lourenço (“Missão”, com Docsantana). O raro trio autoral Marisa Monte, Erasmo Carlos e Carlinhos Brown entra com “Mais um na multidão”, gravada originalmente por Erasmo e Marisa, em 2000. O hino pagodeiro “Caciqueando” (Noca da Portela/Valmir/Amauri), êxito de Beth Carvalho, de 1983, integra o pot-pourri final com “Já pode chegar” (Christiano Moreno/ Paulinho Carvalho/ Fábio Siri) e “Vem” (Ciraninho/ Leandro Fregonesi/ Rafael dos Santos). E numa prospecção mais distante, Zezé repesca um clássico na voz de Aracy de Almeida, de 1947, “Louco (ela era seu mundo)”, do bamba Wilson Batista, com Henrique de Almeida. A ser montado em breve, o musical “Muito prazer, eu sou Zezé!”, escrito por Rodrigo Murat, festejará os 50 anos da estrela.


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