Música

Orlando Silva - O Cantor das Multidões
40 anos de saudades

terça, 07 de agosto de 2018

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ORLANDO GARCIA DA SILVA nasceu no bairro do Engenho de Dentro, subúrbio do Rio de Janeiro, no dia 3 de outubro de 1915. Aos três anos incompletos perdeu o pai, José Celestino da Silva, funcionário da Estrada de Ferro. Sua mãe, Balbina Garcia da Silva, enfrentou com tenacidade e muita coragem a educação dos filhos. Muito cedo, Orlando Silva foi trabalhar como estafeta na Western. No dia 29/8/1933 sofreu um acidente em que teve amputada parte do pé esquerdo. Trabalhou, depois de recuperado, na empresa de ônibus Renascença, onde foi estimulado a participar de serenatas, já que, na condição de cobrador, fazia o seu trabalho cantando, para a alegria dos passageiros, é claro! Revelou-se, desde rapaz, um grande cantor.

Em 1934 foi apresentado ao compositor Bororó que o levou a Francisco Alves. Ouvido pelo grande nome do rádio de então, causou-lhe tão grande satisfação que estreou no seu programa da rádio Cajuti, no dia 23 de junho de 1934. Nesse mesmo ano, em novembro, grava o seu primeiro disco na Colúmbia, selo vermelho n° 8.111-B, lançando as músicas: "Ondas Curtas", de Kid Pepe e Zeca Ivo e o samba "Olha a Bahiana", de Kid Pepe e Germano Augusto.

Em janeiro de 1935 grava na RCA Victor o disco promocional Chopp da Brahma, com músicas de Ary Barroso e letra de Bastos Tigre. No dia 18 de junho de 1935 estreia como cantor exclusivo da RCA Victor gravando o disco n° 33.975-a, com duas valsas de Cândido das Neves: "A Última Estrofe", que foi classificado no disco como “nocturno” e "Lágrimas". Tinha, então, dezenove anos de idade. Apresentou-se na inauguração da rádio Inconfidência de Belo Horizonte, no dia 3/9/1935, e na inauguração da rádio Nacional do Rio de Janeiro, no dia 12 de setembro do mesmo ano. Na Victor gravou seus maiores sucessos, revolucionando a forma de cantar, criando o seu próprio estilo que serviu de modelo para outros futuros e excelentes cantores. Participou de alguns filmes, tais como: Banana da Terra, onde cantou "A Jardineira" e "História Antiga", no filme Laranja da China, onde cantou "Malmequer", no filme Segura esta Mulher, onde cantou "Carnaval do Passado", de Lamartine Babo, no filme "Folias Cariocas", e no filme "Garota Enxuta".

Em 1942, dia 19 de novembro, estreia na Odeon com o disco 12.243-a, cantando a marcha "Alvorada", de Frazão e Dunga e o samba "Inimigo do Samba", de Ataulfo Alves e Jorge de Castro, acompanhado da orquestra de FON-FON. Na Odeon prosseguiu fazendo sucessos inesquecíveis e incomparáveis em sua interpretação, tais como "Duas Vidas", de Pedro Caetano e Claudionor Cruz; "Olhos Magos", de Dante Santoro e Godofredo Santoro; "Será Verdade?", de Georges Moran e J. G. de Araújo Jorge, "Rococó", de Sivan; "Estrela Dalva", de René Bittencourt, além das famosas versões de "Sempre no meu Coração", do filme do mesmo nome, "Amor! Amor! Amor! "Minha devoção" e o famoso "Begin The Beguine", que lhe valeu uma carta do próprio autor, Cole Porter, declarando, textualmente, que fora a melhor interpretação que já ouvira de sua música.

Em 1952 esteve na Copacabana, onde alcançou sucesso com discos em que já não possuía o mesmo timbre de voz, mas preservava a mesma qualidade de interpretação. Entre eles podemos citar: "Tenho Ciúme", samba-canção de René Bittencourt, "Adeus", "Cinco Letras Que Choram" de Silvino Neto," Exaltação à cor", de Ataulfo Alves e J. André, "Risque", de Ary Barroso e a "Valsa do Natal", com música de Sivan e letra de Hilton Gomes. Passou rapidamente pela gravadora Star e voltou à Victor, relançando já em 33 RPM, alguns LPs com os grandes sucessos que havia alcançado em 78 rotações. Nesses LPs, temos excelentes orquestrações, como a de Naná, por exemplo, mas sua participação não atinge o nível das anteriores, pois sua voz se tornara mais grave com a idade. Existe, nos dias de hoje, uma frenética procura de seus discos, havendo muitas reproduções das gravações originais em LPs, onde se filtram os chiados que para os mais jovens é desagradável, mas que os saudosistas não reclamam.

ORLANDO SILVA foi, sem dúvida o melhor cantor brasileiro, sem nenhum demérito para os demais que também eram excelentes cantores. Havia, entretanto, uma grande diferença entre eles. Orlando Silva possuía bela voz, muita extensão, magnífica respiração, perfeita dicção e personalíssima interpretação. Fez chorar, até, o grande Tito Schipa quando o ouviu em seu camarim do Teatro Municipal. É dono de um repertório que assusta muitos dos grandes seresteiros que preferem ficar nas “mais fáceis” sem se aventurarem “pelas difíceis melodias”. Dizem mesmo, os seus mais ferrenhos admiradores por todo o Brasil que ele foi o maior cantor do mundo em sua época. Só não foi mais difundido no exterior pois houve uma grande guerra no meio de sua carreira e a divulgação era muito precária em sua época.

Faleceu no Rio de Janeiro no dia 7 de agosto de 1978 tendo o seu féretro se dirigido ao cemitério S. J. Batista acompanhado por grande multidão que cantava “O Carinhoso”.



Fonte do texto: RECORDAÇÕES... Saudade!. Rio de Janeiro: [s.n.], [Agosto de 1990].




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