Henrique Cazes

Tárik de Souza

Jornalista e crítico musical

Supersônicas

Oscar Arruda entre a filosofia e a psicodelia em “Egomaquia”
por Tárik de Souza

sexta, 03 de novembro de 2017

Quando conheceu a banda Astronauta Marinho, no apropriado Órbita Bar, na Praia de Iracema, em Fortaleza, em 2014, o cantor, compositor e guitarrista cearense Oscar Arruda logo encontrou afinidades. E em 2015, saía o primeiro single do trabalho conjunto, “Vela branca” (“e quando for navegar/ a viagem final, deixa o barco vir bem devagar”). No ano seguinte, partia “Caravana”(“bela miragem azul/ um deserto sem fim”), com participação vocal de Paula Tesser.


fonte da imagem: http://bit.ly/2zbEwY6 

Ambas gravações agora fazem parte de um projeto maior de Arruda, o álbum “Egomaquia”, lançado também em vinil de capa inteiramente branca, com o desenho de dois olhos fechados. Psicodelia e filosofia rimam no disco viajante, repleto de timbres e texturas refinados, providenciados pelo próprio Arruda (músicas, letras, guitarras e voz), seu co-produtor, ao lado dos integrantes do Astronauta Marinho, Felipe Lima (sintetizadores, guitarras) e Guilherme Mendonça (bateria). O grupo tem ainda Daniel Lima (teclados e sintetizadores) e Caio  Cartaxo (baixo) e move-se em atmosferas de cadencias alongadas, de espaçada degustação instrumental, como nos nove minutos do jogo de espelhos de “Surfista prateado” (“rosto sem face/ rio sem bordas/ reflete a imagem da terra azulada/ em chamas perfeitas”).

Intitulado a partir das palavras “ego” do latim, “eu” e “maquia” do grego “luta”, o álbum de Arruda propõe enigmas sem resolve-los, como no flerte com a morte de “Caverna” (“amigo empresta esse isqueiro/ enquanto esqueço aberto o gás”) e no estoicismo de “Labirinto” (“eis aqui um resto de porvir/ ossos, voz, dor de resistir”). Um disco singular.


Fonte da imagem: http://bit.ly/2ysVGDE 


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