Música

Silvio Caldas, o Caboclinho Querido!
Capítulo 1 da série especial 110 anos de SILVIO CALDAS

segunda, 07 de maio de 2018

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Silvio Narciso de Figueiredo Caldas, nasceu da cidade do Rio de Janeiro, no bairro imperial de São Cristóvão, no dia 23 de maio do ano de 1908. Sua brilhante carreira como cantor e compositor começou muito cedo, pois, ainda menino, já era atração nas serestas do bairro. O filho do compositor e afinador de pianos Antônio Caldas se apresentou pela primeira vez ao público no Teatro Phenix, com uma cantiga que aprendeu no bloco carnavalesco Família Ideal. No ponto alto da música ele botava a mão na testa e dançava. Com 19 anos mudou-se pela primeira vez para São Paulo, cidade que sempre exerceu sobre ele uma grande atração. Três anos após, voltou para o Rio de Janeiro, onde fervilhava o rádio, que dava, comercialmente, os seus primeiros passos e onde estavam as grandes gravadoras.

Entre os anos de 1927 e 1928 entrou para a Rádio Mayrink Veiga. No ano seguinte, a Radio Corporation of America assume a gigante gravadora Victor Talking Machine e passa a produzir discos no Brasil. Elegante e sem padrinhos, o cantor Silvio Caldas bateu à porta da RCA Victor. Como resultado ele tem, em 1930, registrado seu primeiro disco, um samba de sua autoria chamado 'Amoroso' e 'Alô Meu  Bem', de Carlos de Almeida. Iniciava-se como cantor e compositor.

Em 1931, apresentou-se na revista Brasil do Amor, escrita por Ary Barroso e Marques Porto, onde cantou, com enorme aceitação, o samba 'Faceira'. Na noite de estreia, foi tão aplaudido que teve que repeti-lo oito vezes consecutivas. Gravou-o, então, na Victor, tendo arranjo do mestre Pixinguinha, piano de Nonô e bateria de Luciano Perrone, obtendo sua primeira consagração. No ano seguinte grava, também de Ary Barroso e Luís Peixoto, 'Maria'. Novo sucesso. Gravada em novembro de 1933, com acompanhamento do bandolim de Luperce Miranda e dos violões de Tute e Pereira Filho, "Mimi" pôs em evidência uma nova forma  de interpretar. Silvio Caldas interpretava o samba na voz e no pé com muita naturalidade.

Em 1934 musicou os versos de Orestes Barbosa e gravou as valsas 'Serenatas' e 'Santa dos Meus Amores', na Victor. Em 1935, também com versos de Orestes, grava 'Torturante Ironia', já na Odeon. Nesse mesmo ano canta na Rádio Mayrink Veiga e participa do filme Favela dos Meus Amores, dirigido por Humberto Mauro, onde canta, entre outras músicas, 'Inquietação', de Ary Barroso. Lamentável e indiscutivelmente, não resta mais nenhuma cópia desse filme. Coisas Nossas! No ano seguinte, participa do filme Carioca Maravilhosa, direção de Luís de Barros.

Em 1937 volta à parceria com Orestes Barbosa e grava 'Arranha Céu' e 'Chão de Estrelas'. Esta última valsa tornou-se peça obrigatória em suas apresentações e, até hoje, é exigida em qualquer seresta, por este Brasil afora. Em 1938 regrava  a marcha-rancho de Noel Rosa e João de Barro, com algumas modificações feitas por Braguinha na marcha 'Linda Pequena', gravada anteriormente, sem sucesso, por João Petra de Barros. Com ela vence o concurso da prefeitura e obtém outra inesquecível consagração. Grava, então, outra joia da dupla Silvio e Orestes, 'Suburbana'.

Volta à Victor e grava para o carnaval de 1939 a marcha 'Florisbela', Nássara e Frazão, vencendo um concurso em que agiu com toda sua "malandragem", derrotando a marcha 'A Jardineira", de Benedito Lacerda e Humberto Porto, gravado por Orlando Silva. Benedito Lacerda ficou uma fera! Até hoje o nosso querido cantor, de forma muito travessa diz:

- Todo mundo canta 'A Jardineira', mas quem ganhou o concurso foi 'Florisbela'!

Lança, ainda em 1939, outros sucessos: 'Da cor do Pecado', de Bororó e 'A Deusa da Minha Rua', de Newton Teixeira e Jorge Faraj. Em 1940 continua agradando com 'Andorinha', marcha de sua autoria, o fox-canção 'Mulher', de Custódio Mesquita e Sadi Cabral e a valsa 'Katia', de Georges Moran e Vitor Bezerra. Estava em pleno apogeu. Em 1941 grava a valsa 'Caixinha de Música', de Custódio Mesquita e o samba de Ary Barroso, 'Morena Boca de Ouro'. Em 1943 lança um samba de sua autoria com Wilson Batista, 'Meus Vinte Anos' e a linda valsa de Jayme Ovalle e Manuel Bandeira, 'Modinha'. Em 1944 outra consagração com o samba de Custódio Mesquita e Evaldo Ruy, 'Como os Rios que Correm pro Mar' e, da mesma dupla, 'Valsa do Meu Subúrbio'. Seguem-se: 'Algodão', de Custódio Mesquita e David Nasser e 'Noturno em Tempo de Samba', de Custódio e Evaldo Ruy.

Em 1947 volta a fazer cinema, desta vez no filme Luz dos Meus Olhos, direção de José Carlos Burle. Grava nesse ano, de Horondino Silva, o nosso querido Dino 7 Cordas e Alberto Ribeiro, o choro 'Pastora dos Olhos Castanhos', na Continental. Em 1950 vai para a Sinter e grava samba de sua autoria e José Judice, 'Nos Braços de Isabel'. Em 1952 outro momento emocionante. Grava em homenagem a Francisco Alves, que acabara de morrer em trágico acidente automobilístico, a canção de Joubert de Carvalho e David Nasser, 'O Silêncio do Cantor', pela Sinter. 

A partir desse ano regravou quase todos os seus antigos sucessos em LPs. Sua discografia em 33 RPM é vasta e, às vezes, repetida. Gravou um excelente álbum duplo com Elizeth Cardoso, pela Copacabana. Mudou-se para Atibaia, São Paulo onde ficou até sua morte em 3 de fevereiro de 1998. Às vezes matava as saudades do público com apresentações emocionantes, como a que fez no Rio de Janeiro, no Teatro João Caetano, onde foi ovacionado por seu público, fiel e apaixonado, composto de pessoas de todas as idades. É carinhosamente chamado de Titio, mas ficará para sempre, em nossa história musical com a imagem de O Caboclinho Querido, o eterno seresteiro do Brasil.


Este é o primeiro de 5 artigos sobre a vida e carreira de Silvio Caldas, o seresteiro do Brasil, falecido há 20 anos e que neste mês de maio celebra 110 anos de vida, de música, de afamadas canções. No próximo contaremos sobre sua fuga de última hora do Programa Francisco Alves e suas parcerias com Orestes Barbosa. Enquanto isso, não perca um capítulo destes incríveis fatos notáveis!

Clique nos links abaixo e navegue por esta série especial:

Capítulo 1 - Silvio Caldas, o Caboclinho Querido! (lendo agora)
Capítulo 2 - Silvio e Orestes no Café Nice
Capítulo 3 - O melhor da parceria entre Silvio Caldas e Orestes Barbosa
Capítulo 4 - De 'Chão de Estrelas' à turnê (em breve)
Capítulo 5 - Músicas Imortais (em breve)



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