Henrique Cazes

Tárik de Souza

Jornalista e crítico musical

Supersônicas

Um retrato filmado de Martinho e sua Vila Isabel no DVD “O samba”
por Tárik de Souza

quinta, 08 de fevereiro de 2018

Compartilhar:

Carnaval é período de safra farta para o bibarrense Martinho José Ferreira, conhecido no mundo do samba como Martinho da Vila. Ele não começou na Unidos da Vila Isabel que rendeu a ele o sobrenome artístico, mas na pequena Aprendizes da Boca do Mato, na encruza do Lins de Vasconcelos com o Méier, subúrbios do Rio. Sua trajetória ultra vitoriosa de músico que transcendeu escolas e gêneros, sem deixar de simbolizar o mais central deles, está no DVD O samba – Martinho da Vila e a Escola de Samba Vila Isabel (Biscoito Fino).

A imagem pode conter: 1 pessoa, sorrindo

O filme é do cineasta suíço Georges Gachot, o mesmo de “Maria Bethânia, música é perfume” e “Rio Sonata” (sobre Nana Caymmi). No início, há cenas de preparação da escola para o desfile. Martinho aparece em várias situações durante o filme, de roteiro um tanto disperso. Começa por celebrar um pandeiro que ganhou de Zeca Pagodinho e exibe-se com destreza em várias batidas. Lembra que escreveu “Renascer das cinzas”, “ num ano em que a Vila Isabel estava muito ruim no desfile. Era para a animar a turma, mas todo mundo chorou”, surpreende-se.

Também fez “Calango vascaíno” para o time do coração, “quando o Vasco tava numa época complicada” (e quando não está?). Há cenas de desfile da Vila Isabel, entrevistas com Wallan, mestre de bateria. Convidados como Ney Matogrosso, Zeca Baleiro, Leci Brandão, Moyseis Marques, Paula Lima, também dão seu recado, mas pontifica a família musical do celebrado. De Mart’nália, a anárquica e irresistível cantora, à Maíra Freitas, a pianista erudita, com quem Martinho encena uma rusga bem humorada ao cantar “Disritmia”. Não faltam os mega clássicos sambas enredo “Onde o Brasil aprendeu a liberdade”, dele, “Aquarela brasileira” (Silas de Oliveira) e “Kizomba, festa da raça” (Luiz Carlos da Vila/ Rodolpho/Jonas). Corta para Paris, França, onde Martinho divide com a cantora grega Nana Mouskouri uma versão de “Canta, canta minha gente” (“Quand tu chantes”). É sua música mais conhecida no exterior, mas Martinho se queixa que a primeira gravação local foi feita com uma letra que deturpava a sua, “transmitindo uma visão conformista, contrária ao original”. A esta altura, ele já tinha se tornado Martinho do Planeta.



fonte da imagem: https://goo.gl/4ArWud 

Comentários

Tem uma sugestão de pauta?