Henrique Cazes

Tárik de Souza

Jornalista e crítico musical

Supersônicas

Zuza Homem de Mello retrata o samba canção e o auge de Copacabana
por Tárik de Souza

terça, 05 de dezembro de 2017

Músico, radialista, jornalista e historiador, autor dos livros “A era dos festivais”, “A canção no tempo” (com Jairo Severiano), “Eis aqui os Bossa nova”, “Música nas veias”, “Música com Z” o paulistano Zuza Homem de Mello desembarca mais um tratado musical de alto coturno.


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Trata-se de “Copacabana – a trajetória do samba canção (1929-1958)” (Editora 34/SESC, 512 pgs), resultado de mais de dez anos de pesquisas. Ele documenta a trajetória do gênero samba canção desde seu surgimento no teatro de revista (“Linda flor”, por Aracy Cortes, em 1929) até o apogeu entre 1946 (ano do fechamento da feérie dos cassinos) e 1958, quando migrou para os inferninhos da então florescente Copacabana, bairro símbolo da urbanização do país, e acabou canibalizado pelas novas harmonias, síncopa e poesia trazidas pelas bossa nova.

Além da espetacular memorabilia fotográfica (incluindo raros flagrantes de Noel Rosa, Antonio Maria, Trio Surdina, Dóris Monteiro com Fernando Cesar, Carlos Machado e suas vedetes, Valzinho, José Maria de Abreu, Os Cariocas, Custódio Mesquita, Mary Gonçalves) o livro traça detalhados perfis de gigantes do período. Como Dick Farney, Radamés Gnattali, Ary Barroso, Lupicínio Rodrigues, Herivelto Martins, Dorival Caymmi, Ângela Maria, Elizeth Cardoso, Maysa, Aracy de Almeida, Dalva de Oliveira, Miltinho, Nora Ney, Cauby Peixoto, Nelson Gonçalves e os transitivos Tito Madi, Tom Jobim e Sylvia Telles, já a meio caminho da bossa.

Comovente é a história de Zé Bicão, baixista de São Paulo que enlouqueceu, e acabou mendigando nas ruas do Rio. Além de causos, rigorosamente apurados, Zuza ainda analisa estruturalmente as transformações do samba canção e sua propagação como trilha sonora das noitadas de várias gerações boêmias.

O lançamento do livro será nesta quarta-feira, dia 6, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, em São Paulo. 


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