Vire o Vinil

Wanderléa além da Ternurinha
Álbum: "Vamos Que Eu Já Vou - 1977"

sexta, 08 de novembro de 2019

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Alguns dos grandes artistas da nossa música tiveram marcante participação em movimentos musicais e culturais como a Tropicália, a Jovem Guarda e o Clube da Esquina.

Até aí tudo muito bom, tudo muito bem, mas hoje ao falar em nomes como os de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Milton Nascimento, Roberto Carlos; dentre outros, para muitos essa associação ganhou um segundo plano, pois as obras posteriores a estes períodos mostraram ao grande público e à mídia que cada qual "ganhou vida própria", produzindo trabalhos que se sobrepõe até mesmo à grandiosidade e importância dos movimentos dos quais fizeram parte.

Normalmente, quando se fala de Wanderléa há por parte de muitos a tal associação à Jovem Guarda, de imediato canções como "Pare o Casamento" ou a baladinha "Foi Assim"; que carregam no DNA do "iê iê iê" são lembradas; mas e aí? Wanderléa se resume a essa nostalgia toda? Não há mais nada além dos anos 60? Errado! Muito errado!

O álbum "Pra Ganhar Meu Coração" do ano de 1968 foi o resquício dessa fase, em que após um hiato de quatro anos, eis que em 1972 surge o ótimo "...Maravilhosa" que só a julgar pela capa (na qual Wanderléa aparece quase irreconhecível, com uma peruca "Black Power" loira), já dava ares de que a "Ternurinha" estava sendo talvez exorcizada.

No ano de 1975 foi lançado seu primeiro álbum ao vivo, oriundo do show que dá nome ao trabalho, "Feito Gente", gravado no Teatro Teresa Rachel, Rio de Janeiro, com direção musical da grande Rosinha de Valença.

Bem! Chegamos a 1977, onde enfim o tema será o que é ao menos na minha opinião o grande trabalho da carreira da artista e digo por uma série de fatores.

"Vamos Que Eu Já Vou" é sensacional! Experimental, de gravação impecável e que mostra uma artista de incrível versatilidade, já que passeia com desenvoltura por gêneros como o Samba, o afro-caribenho Calypso, o Baião, o Funk e um Rock Progressivo que em nada deixa a dever para as grandes bandas do gênero.


Vale ouvir o álbum inteiro, mas vamos a alguns destaques...

Abrindo os trabalhos, a faixa "A Terceira Força", composição de Roberto e Erasmo, mas não se engane: a gravação em nada lembra os tempos passados.

"Antes Que a Cidade Durma", "Vamos Que Eu Já Vou" e o Baião "Relva Verde"; são talvez os pontos mais altos do álbum. As três canções são marcadas pelo puro virtuosismo resultante do super time de músicos reunidos para a gravação dessa obra, capitaneados por ninguém menos que Egberto Gismonti, que também assina os arranjos.

A romântica "Coisas da Vida" é de uma sutileza infindável e mostra que Wanderléa, não só precisa, mas merece constar em qualquer lista de grandes intérpretes da nossa música.

Para fechar a nossa seleção, vamos de "Dança Mineira", que também é a faixa que fecha com primor esse discaço.

A artista é dona de uma voz linda! Tem algo de peculiar que a torna incrivelmente agradável aos ouvidos. Olha aí a prova de que talvez faltasse a você conhecer além da "Ternurinha".

"Por favor, pare agora..." e ouça este trabalho da "...Maravilhosa" Wanderléa.


Lado A
1. "A Terceira Força" (Roberto Carlos / Erasmo Carlos)
2. "Poema Para Léa" (Paulo Diniz / Juhareiz Correya)
3. "Antes Que a Cidade Durma" (Altay Veloso)
4. "Calypso" (Geraldo Carneiro / Egberto Gismonti)
5. "Coisas da Vida" (Rosinha de Valença)
6. "Café" (Egberto Gismonti)


Lado B
1. "Vamos Que Eu Já Vou" (Altay Veloso)
2. "Carmo" (Geraldo Carneiro / Egberto Gismonti)
3. "A Felicidade Bate à Sua Porta" (Luiz Gonzaga Jr.)
4. "Educação Sentimental" (Geraldo Carneiro / Egberto Gismonti)
5. "Relva Verde" (Altay Veloso)
6. "Dança Mineira" (Aécio Flávio / Tibério Gaspar)


Músicos:
Egberto Gismonti – Teclados, piano, violão, um monte de coisas mais e arranjos.
Robertinho Silva – Bateria, percussão.
Luiz Alves – Baixo Acústico.
Valdecir Ney Machado – Baixo Elétrico.
Altay Veloso – Guitarra.
Ubiratan – Percussão.


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