Música

Kunumí MC lança clipe de seu novo single: Xondaro Ka’aguy Reguá (Forest Warrior)

quarta, 22 de julho de 2020

Compartilhar:

Werá Jeguaka Mirim é o nome de Kunumí MC. Com dois discos já lançados, o EP de estreia, "My Blood is Red" (2017) e o álbum "Todo Dia É Dia de Índio" (2018), Kunumí MC lança agora o single "Xondaro Ka’aguy Reguá (Forest Warrior)", que ganhou clipe, dirigido pela dupla da Angry Films, Bruno Silva e Gabe Maruyama.


A música retrata a realidade dos povos indígenas de força e resistência, desde a invasão dos portugueses até o presente momento, sob a visão de um indígena. Kunumí conta que a ideia do clipe foi retratá-lo na aldeia Krukutu, onde vive em Parelheiros (SP) e também na capital, São Paulo: “o vídeo tenta mostrar a diferença que é para o indígena entre viver na aldeia e na cidade. Aqui, na aldeia, o indígena vive melhor, porque esse é o nosso lugar. Não só o nosso lugar, mas deveria ser o lugar de todo mundo, né? A natureza, né?”, diz Kunumí.

Além disso, os diretores Gabe e Bruno, que também dirigiram outro clipe de Kunumí, "O Kunumi Chegou", comentam sobre a produção: “o vídeo é sobre um guerreiro dotado de poderes, uma ficção futurista mas também muito atual. No filme, Kunumí se transforma em fogo, universo, folhas... Contos fazem parte da cultura Guarani, e neste conto que criamos, retratamos a nova geração de indígenas que usam a educação, a arte e a tecnologia para defender e proteger seus povos e as suas terras. O filme é uma homenagem a todos os povos indígenas do Brasil e do mundo, e também um manifesto à liberdade criativa que os permite, como seres humanos, tomarem suas decisões individuais como cantar rap, escrever livros, ter uma carreira, transitar por outras culturas e mesmo assim, não deixam de ser indígenas”.

Sobre a letra da música, em guarani, o artista comenta: “a letra é uma letra forte, fui eu que escrevi, mas as palavras não são minhas, né? Junto comigo vem a ancestralidade, o meu povo sofrido, e isso me faz fortalecer e a cantar mais e mais, não desistir. Quando eu canto, não canto sozinho. Quando eu canto, na minha própria língua, junto vem o meu povo do passado, massacrado e escravizado, que sofreu muito e me traz força pra cantar e pra escrever”. Já a produção da música é assinada por Fadel Dabien, que traz samples de violino indígena com referências de trap music e reggaeton unidos ao canto Guarani, uma peça atual que também é o retrato de um novo movimento cultural, o futurismo indígena.