Tema do Mês

Rita Lee, a Rainha do Rock, também reinou na TV
TEMA DO MÊS de SETEMBRO!

domingo, 13 de setembro de 2020

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A cantora e compositora Rita Lee, como muita gente sabe, foi consagrada como a “Rainha do Rock” nacional por ter construído uma discografia e uma persona artística irreverente, transgressora e libertária - assim como prega a filosofia  desse tal de “Roque Enrow”. 

O que muitos não sabem é que Rita também estendeu seu reinado para a teledramaturgia - seja como cantora, apresentadora ou até como atriz! 

Se você não sabia, acompanhe o texto porque vamos destrinchar tudo. 

Recordista em aberturas de novelas

Segundo contagem feita pelo programa “Vídeo Show” em 2019, Rita Lee é a cantora brasileira que mais vezes emprestou sua voz e suas canções para tocar em aberturas de novelas. Ela domina a lista com 9 pontos e é seguida por Ney Matogrosso, Caetano Veloso, Gal Costa e Tom Jobim

A primeira canção sua a aparecer nos créditos iniciais de um folhetim foi “Eu e meu gato” em “O Pulo do Gato”, em 1978. A partir daí, foi uma sucessão quase ininterrupta: “Chega mais” em “Chega Mais” (1980), “Flagra” em “Final Feliz” (1982), “Sassaricando” em “Sassaricando” (1987), “La Miranda” em “Lua Cheia de Amor” (1990), “Vítima” em “A Próxima Vítima” (1995), “Dona doida” em “Zazá” (1997), “Ti ti ti” em “Ti Ti Ti” (2010) e “Minha vida” em “Espelho da Vida” (2019). 

Isso tudo sem contar as aberturas com canções suas, mas interpretadas por outros artistas. É o caso, por exemplo, da novela “Baila Comigo”, que abria com a canção homônima de Rita na versão instrumental de Robson Jorge e Lincoln Olivetti, ou da temporada de 2014 de “Malhação”, que apresentou o clássico “Agora só falta você” na voz de Pitty


Tramas e personagens  

Além das aberturas, Rita também já deu o ar da graça inúmeras vezes no “recheio” das novelas, ilustrando com suas canções os dramas, as angústias e os desejos de personagens inesquecíveis. 

Sua primeira música incluída em um folhetim, de acordo com o blog “Rita Lee Por Norma Lima”, foi “Sucesso aqui vou eu”, carro-chefe do seu primeiro  álbum solo, “Build Up”, que foi parar na trilha de “A Próxima Atração”, de 1970. 

Pouco depois, em 1975, a novela “Bravo!” contou com duas canções do histórico disco “Fruto  proibido”: “Agora só falta você” e “Esse tal de Roque Enrow”. 

E por aí vaí…

Quem é que não se lembra, por exemplo, quando “Pega rapaz” embalou o divertido romance de Rosemere (Glória Menezes) e Baltazar (Dênis Carvalho) em “Brega & Chique”? Ou, mais recentemente, quando “Reza” aparecia em “Avenida Brasil” para anunciar o divertidíssimo núcleo de Cadinho (Alexandre Borges), o trígamo que se desdobrava para enganar as três esposas? 

É possível citar dezenas de outros exemplos: “Agora é moda” em “Dancin` Days” (1978), “Atlântida” em “Sétimo Sentido” (1982), “Bobos da corte” em “Partido Alto” (1984), “Mon amour” em “Fera Ferida” (1993) e outras tantas. 

Algumas gravações, inclusive, foram feitas especialmente para folhetins e não constam nos discos de carreira da cantora, como é o caso de “Loco-motivas” e “Sassaricando”, gravadas para as atrações homônimas de 1977 e 1987, respectivamente. 

Parte desses temas estão reunidos na coletânea “Novelas”, lançada pela Som Livre em 2002. 

Capa do álbum "Novelas" (Foto: Reprodução/IMMuB)

Há uma gravação de Rita Lee em especial que parece ser onipresente nas novelas nacionais. Trata-se de “Erva venenosa”, versão de Rossini Pinto para “Poison ivy”, lançada pelos Golden Boys na década de 1960 e regravada com enorme sucesso por Rita em 2000, no álbum “3001”. Essa música já apareceu em pelo menos quatro produções da nossa teledramaturgia! 

Perfeita para descrever personagens malvadas e sem escrúpulos, a canção traduziu  a perfídia de diversas vilãs: a Laila (Cristiane Torloni) de “Um Anjo Caiu do Céu” (2001), a Leona (Carolina Dieckmann) de “Cobras & Lagartos" (2006), a dupla Sofia (Zezé Polessa) e Beatriz (Débora Falabella) de “Escrito nas Estrelas” (2010) e a Maura (Alexandra Richter) da temporada de 2013 de Malhação. 


A atriz e apresentadora Rita Lee

Mas a relação de Rita Lee com a televisão não se esgota nos discos de trilha sonora. Se você acha que isso já é muito, se prepare, porque vem mais coisa por aí. Artista multitalentosa, Rita é também uma atriz nata e já teve uma curta, mas bem sucedida experiência como apresentadora de TV. 

A primeira vez que ela apareceu na telinha para atuar foi em uma participação especial no seriado “Malu Mulher”, em 1979. Rita apareceu como ela mesma no episódio escrito por Luís Carlos Maciel. Na trama, ela era convidada a cantar na festa de aniversário da filha da protagonista e entoava o recém-lançado sucesso “Mania de você”.

Depois, em 1986, ele apareceu como a personagem Sunda Morgana no musical “Cida, A Gata Roqueira”, estrelado por Cláudia Raia e dirigido por Roberto Talma. 

Ainda como atriz, ela fez participação especial em duas novelas. A primeira foi “Top Model”, de 1989, quando viveu a misteriosa Belatrix. Pouco depois, em 1991, ela gravou alguns capítulos de “Vamp” como Lita Ree, uma roqueira que aparece para fazer um show com Natasha, a cantora/vampira vivida por Cláudia Ohana. 

Rita Lee caracterizada como Lita Ree, sua personagem em "Vamp" (Foto: Reprodução) 

Em dezembro de 1997, Rita Lee fez uma participação impagável no famoso sitcom “Sai de Baixo”. No episódio “Presepada de Natal”, ela surge como Scarlet, a prima milionária de Caco Antibes (Miguel Falabella). A risada é certa! 

Foi também na década de 1990 que Rita viveu a experiência de ser uma das primeiras VJ´s nacionais. Isso mesmo, ela apresentou o programa “TV Leezão” nos primórdios da MTV no Brasil. Na atração, ela interpretava personagens, comentava atualidades, imitava personalidades e recebia diversos artistas para entrevistas especiais.

Mais tarde, de 2002 a 2004, ela fez parte da primeira formação do programa de debates “Saia Justa”, do GNT, ao lado de Mônica Waldvogel, Fernanda Young e Marisa Orth. Depois da sua saída do programa, ela levou ao ar, também pelo GNT, o programa “Madame Lee”, que estreou ao lado do marido Roberto de Carvalho. Nele, o casal recebia famosos em uma espécie de consultório esotérico para entrevistas fora do comum. 

Fernanda Young, Rita Lee, Marisa Orth e Mônica Waldvogel na primeira formação do "Saia Justa" (Foto: Reprodução/GNT)

Rainha na música e na TV

Pois é. Além dos discos e dos shows antológicos que entraram para a história da nossa memória musical, Rita Lee ainda brilhou na televisão. Isso porque nem contamos aqui as muitas participações da roqueira em programas musicais ou quando apenas cantou em capítulos especiais de novelas, como em “Celebridade” ou no remake de “Ti Ti Ti”. 

Rainha do rock e majestade incontestável do pop nacional, Rita Lee também foi soberana na teledramaturgia tupiniquim. Vida longa! 


Texto por: Tito Guedes 


Fontes: site Teledramaturgia e blog Rita Lee por Norma Lima

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