Tema do Mês

1 Século de Samba...E Um Pouco Mais!
por Caio Andrade

quarta, 01 de dezembro de 2021

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Dia 2 de dezembro comemoramos o Dia Nacional do Samba. Aproveitando esse ritmo tão marcante na nossa memória musical, em dezembro o IMMuB vai homenagear alguns sambistas importantes que completariam 100 anos ou mais ao longo do ano de 2021. Preparem os seus tamborins!

Centenaristas

Esse ano tivemos alguns centenários importantes no mundo do samba para se celebrar: Clementino Rodrigues, o popular Riachão, ícone do samba da Bahia, nasceu em 14 de novembro de 1921. Falecido ano passado aos 98 anos, o autor de sucessos como “Cada Macaco no Seu Galho” e “Vá Morar Com o Diabo” tinha planos para o próprio centenário como a gravação de um novo álbum. O último que havia lançado tinha sido Mundão de Ouro, em 2013.

Da Bahia para o Rio de Janeiro, temos outros dois nomes, ligados à Portela, que também fizeram centenário esse ano: Zé Keti e Manacéa, autores de clássicos como “A Voz do Morro” e “Quantas Lágrimas”, respectivamente, se mostram ainda bastante populares mesmo com o passar do tempo.

Não à toa, Zé, nascido em 16 de setembro de 1921 e falecido em 1999, ganhou uma homenagem na voz de Teresa Cristina com o show “Teresa Cristina Canta Zé Keti”. O espetáculo provavelmente vai render um álbum nos próximos meses a exemplo dos tributos que a cantora fez para Noel Rosa (1910-1937) e Cartola (1908-1980).

Manacéa, nascido em 26 de agosto de 1921 e falecido em 1995, não chegou a gravar um álbum apenas seu, a exemplo dos sambistas anteriores. Participou de alguns álbuns da Velha Guarda da Portela e de gravações de artistas como Cristina Buarque (Carro de Boi, 1976 e Amor Proibido, 1994) e Zezé Motta (Manhã Brasileira, 1979).

Vale à pena uma menção honrosa à nomes como Roberto Paiva (1921-2014) e Ademilde Fonseca (1921-2012), duas grandes vozes da Era do Rádio que fizeram centenário também esse ano. Roberto Paiva, apesar de não estar ligado apenas ao samba e não ser um dos cantores mais lembrados do período, sempre foi considerado um bom cantor. Seu maior sucesso foi o samba O Trem Atrasou, destaque do carnaval de 1941. Ademilde Fonseca, nossa Rainha do Choro, também gravou alguns sambas e dispensa credenciais, se consolidando facilmente como uma das grandes cantoras de sua época.

Além dos 100

105 anos de Silas de Oliveira (04/10): ícone e fundador do Império Serrano, Silas foi parceiro de outros importantes nomes da escola como Dona Ivone Lara e Mano Décio da Viola. É autor de diversos sucessos do carnaval carioca como Aquarela Brasileira (1964), Os Cinco Bailes da História do Rio (1965) e Heróis da Liberdade (1969), além de sambas memoráveis como Amor Aventureiro, Meu Drama (Senhora Tentação) e Apoteose Ao Samba.

110 anos de Assis Valente (19/03): foi um grande compositor de sambas e marchas de sucesso da nossa música, regravado até os dias de hoje. Foi um dos autores favoritos de artistas como Carmen Miranda. É dele composições de sucesso como Camisa Listada, Brasil Pandeiro, Boas Festas, Cai, Cai, Balão e E o Mundo Não Se Acabou. Se suicidou em 1958 pouco antes de completar 47 anos.

110 anos de Pedro Caetano (01/02): grande compositor da música popular, fez bastante sucesso na Era de Ouro do Rádio e foi parceiro de nomes como Alcyr Pires Vermelho e principalmente Claudionor Cruz, o mais constante. Dentre seus diversos sucessos, pode-se citar os sambas É Com Esse Que Eu Vou, Disse Me Disse, Botões de Laranjeira e Onde Estão Os Tamborins. Compôs também marchas, como é o caso de Eu Brinco, e canções mais românticas, como é o caso da valsa Caprichos do Destino.

110 anos de Nelson Cavaquinho (29/10): um dos grandes representantes da Estação Primeira de Mangueira, ficou marcado pelo seu jeito diferente de tocar violão, com um som estalado e sambas “quadrados”, além de letras melancólicas que tratam constantemente da morte, desamor e flores. Teve Guilherme de Brito como principal parceiro e é autor de clássicos do samba como A Flor e o Espinho, Folhas Secas, Juízo Final, Notícia e Luz Negra.

110 anos de Synval Silva (14/03): apesar de pouco conhecido, Synval foi autor de vários sucessos na voz de Carmen Miranda nos anos 1930, de quem chegou a ser chofer. É dele sambas como Ao Voltar do Samba, Coração, Gente Bamba e principalmente Adeus Batucada, regravado até os dias de hoje. Apesar de diversas composições e apontado como um grande sambista da época, morreu pobre e pouco lembrado.

110 anos de Mário Lago (26/11): artista multifacetado, esteve ligado não só à música como também foi ator, escritor, roteirista, poeta e ativista político. Parceiro de nomes como Ataulfo Alves, Roberto Martins e Custódio Mesquita, é autor de sucessos como os sambas Atire a Primeira Pedra e Ai, Que Saudades da Amélia, da marcha Aurora e também de sambas-canções mais lentos e românticos como Nada Além, Dá-me Tuas Mãos e Fracasso.

120 anos de Clementina de Jesus (07/02): apesar de algumas divergências com relação ao ano de nascimento da Rainha Quelé (uns apontam 1901, outros, 1902), estamos em época de comemorar os 120 anos dessa artista que foi um canto ancestral da africanidade no Brasil. Se destacou com sambas mas esteve também fortemente ligada aos cânticos religiosos, como pontos de umbanda e ladainhas. Foi descoberta relativamente tarde, com mais de 60 anos de idade, por Hermínio Bello de Carvalho. Participou do antológico espetáculo Rosa de Ouro ao lado de nomes como Paulinho da Viola e Aracy Côrtes. Dentre alguns de seus sucessos, destacam-se Marinheiro Só e Na Linha do Mar.

Difícil escolher quem escutar primeiro, não é?

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