Henrique Cazes

Tárik de Souza

Jornalista e crítico musical

Supersônicas

A misturadeira de estilos do fenômeno Bibi Ferrreira
por Tárik de Souza

quinta, 07 de dezembro de 2017

Gravado ao vivo, nos dias 22 e 23 de março de 2013, o CD/DVD “Histórias e canções” (Biscoito Fino) nasceu da comemoração dos 70 anos de carreira da atriz e cantora Bibi Ferreira, nascida em junho de 1922.

Acompanhada pela Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, sob arranjos, direção musical e regência de Flavio Mendes, ela encena não apenas um prodígio de longevidade, aos 95. Sua emissão poderosa e ainda plena de vigor, percorre um roteiro meio alucinado. Vai das óperas customizadas com letras de canções brasileiras (“La Traviata” com “Palpite infeliz”, Cavatina de Fígaro “Barbeiro de Sevilha”, com “O teu cabelo não nega”, “Boneca de pixe”, “Nega do cabelo duro”) ao “Samba de uma nota só”, de Tom Jobim e Newton Mendonça como suporte sonoro para os versos de “Canção do exílio”, de Gonçalves Dias. E não é que eles cabem na métrica?

Bibi revisita temas de alguns musicais importados de que participou (“Sonho impossível”, “O homem de La Mancha”, “América”) e o nacional “Gota d’água” (“Basta um dia”), do qual foi protagonista principal. Homenageia Elizeth Cardoso (“Nossos momentos”, “Meiga presença”, “As praias desertas”), recorda os cantores de tango que frequentavam sua casa (“Cuesta abajo”, “Esta noche me emborracho”), aventura-se no samba de breque (“Minha palhoça”, “Conversa de botequim”) e embrenha-se na nordestinidade da trilha do filme de Glauber Rocha, “Deus e o diabo na terra do sol” (“Perseguição”, “Corisco”, “O sertão vai virar mar”). Até desaguar – ou melhor encarnar – sua personagem mais célebre, a cantautora francesa Edith Piaf (“A quoi ça sert l’amour”, “La vie em rose”, “Non, je ne regrette rien”, “L’hymne a l’amour”), com direito ao fado “Nem as paredes confesso”, no extra. Um fenômeno. 


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