Henrique Cazes

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Supersônicas

A música universal de Itiberê Zwarg com orquestra da Finlândia
por Tárik de Souza

quinta, 11 de janeiro de 2018

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Um do mais destacados discípulos da usina de musica do bruxo Hermeto Pascoal, o baixista, compositor e arranjador Itiberê Zwarg gravou um CD onde comemora 50 anos de carreira, 40 deles com o mestre.

“Universal Music Orchestra – Itiberê Zwarg & UMO” (Biscoito Fino) nasceu de um convite do produtor Thomas Noreila. Em agosto de 2015, ele promoveu no Helsinki Festival um concerto reunido suas composições e arranjos com a finlandesa UMO Jazz Orchestra, incluindo participação do próprio Hermeto (escaleta, piano preparado e copos musicais), e mais Aline Morena (vocais e pandeiro), Mariana Zwarg (flautim), Maria Teresa Maldonado (voz) e Sami Kontola (percussão). Em seguida, foram mais três dias de gravação num estúdio, em Helsinki, e três dias de mixagem em Amsterdã, Holanda, com o engenheiro de som Paul Pouwer. A UMO Jazz Orchestra é constituída por quatro trompetes, quatro trombones, cinco saxes e mais piano, baixo elétrico e acústico, bateria e percussão.

No roteiro, da valsa jazz mestiça “No melhor da festa”, com intervenções de Hermeto e superposição de sopros, a “Muriqui” (“quando repetimos esse nome várias vezes, emitimos o som de um reco-reco tocando frevo”, descreve Itiberê). O curto e enérgico baião “Pra vocês da UMO” contrasta com uma inesperada releitura dissonante do velho standard internacional “Autumn leaves” (partitura do húngaro naturalizado francês Joseph Kosma), a única faixa do álbum não assinada pelo solista. A despeito da construção instrumental sempre instigante, “Realejo” tem algo do nostálgico instrumento, “Comichão” justifica o título já na abertura frenética, e a endiabrada “Tem mico no quintal”, pontuada por solos de sax barítono, trombone e sax alto, encena um frevo com andamentos alterados. 


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