Henrique Cazes

Tárik de Souza

Jornalista e crítico musical

Supersônicas

“Rei ninguém”, o manifesto orgânico de Arthur Nogueira
por Tárik de Souza

quarta, 08 de novembro de 2017

Quarto disco do cantor e compositor paraense Arthur Nogueira, Rei ninguém (Natura Musical/Jóia Moderna) faz o caminho inverso do mais recente da baiana Marcia Castro: deixa a sintaxe eletrônica dos anteriores “Sem medo nem esperança” (2015) e “Presente” (2016) por uma sonoridade mais orgânica, adensada em canções lentas. Entre elas, a balada folk de Bob Dylan “You’re gonna make me lonesome when you go” (“Vou ficar tão só se você for”, versão dele e de Erick Monteiro de Moraes).

Seu principal parceiro é o acadêmico carioca Antonio Cícero, a quem ele dedicou o disco “Presente”, e com quem dividiu a faixa título de “Sem medo nem esperança”, gravada por Gal Costa em seu “Estratosférica”. Cícero é o letrista de suas composições “A hora certa” e “Consegui”. Esta última tem participação vocal de sua conterrânea Fafá de Belém, que se espalha no estilo da guitarrada brega local. Outros parceiros surgem no roteiro como o Eucanaã Ferraz da desiludida “Papel, tesoura e cola” (“era uma tarde chinesa, tarde de mim sem você/ quando vi que nós dois juntos não valíamos a cena”), Zé Manoel, em “Moonlight” (“onde você me abriria suas asas/ já não sobrou nada/ apesar dos versos/ da vertigem azul”) e Luiz Gabriel Lopes em “Lume”.


fonte da imagem: http://bit.ly/2iDOQQY


Nogueira assina sozinho “Pra nós” (“A cidade foge na velocidade/ do meu sangue”) e “Era só você” (“tudo era tão bonito/ quando havia sol/ as pontas dos cabelos/ eram puro ouro”) e plaina na sonoridade econômica do CD, fornecida em arranjos coletivos por Allen Alencar (guitarra), Filipe Massumi (violoncelo), Richard Ribeiro (bateria e percussão), João Paulo Deogracias (baixo e sintetizadores) e Zé Manoel (piano e teclado).

O título do disco foi extraído de um corrosivo poema da alemã Rose Ausländer, “Niemand”, tradução de Arthur e Erick Moraes: “Ninguém suspeita/ que eu seja um rei/ e no bolso traga/ minha terra apátrida”.


Fonte da imagem: http://bit.ly/2hlgLIy


Comentários

Tem uma sugestão de pauta?