Supersônicas

Tika, talento novo desfila entre timbres e texturas
por Tárik de Souza

sexta, 23 de fevereiro de 2018

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Paulista de Rio Claro (terra da estilista Dalva de Oliveira), onde iniciou-se na banda Quizumba, Marina Casenato, a Tika, formou-se em música pela Universidade Federal de São Carlos e pelo Conservatório de Tatuí. Tem um EP e um single lançados, já participou de discos de Thiago França, Bruno Morais e Kika, além de ter atuado em casas de shows (Cine Jóia, SESC, Memorial da América Latina) e festivais (Virada Cultural, Festival Contato, Dia da Música).

No CD Unwritable(YBMusic), co-produzido por ela e os músicos do disco, Pipo Pegoraro (guitarra, programações, synth) e João Deogracias (baixo), ela revela talento sólido e bem lapidado. Dois outros músicos, Mauricio Fleury (Rhodes e Mellotron, synth, arpeggiator), Sergio Machado (bateria) fornecem a moldura semovente, etérea às vezes (“Haja amor”, parceria com Otto, enovelada em órgão), ou dissonante, com alguma aspereza (“Vida”, parceria com Rodrigo Campos e Alice Coutinho). Apenas a faixa título, em tradução livre, “O que não pode ser escrito”, (dela com Kika e João Leão, responsável por minimoog, Rhodes e coro), e “The same again” são em inglês. A provocante “Acabou, não acabou” (“três palavras de amor/ um café, uSm segredo/ é um olhar estrangeiro/ cama, véu, cobertor/ o jornal e o medo”), parceria com Alice Coutinho, poderia ser alistada numa cadencia de reggae, mas a escolha de timbres e texturas suplanta a questão rítmica (seria “Anoitece”, com Kika, bolero ou balada?). “Noite vai alta” (parceria com Clima) flutua num clima etéreo sem pouso, e em “Aqui” (com Rômulo Fróes), a sensualidade transgride o estranhamento: “Deixa eu entrar aqui/ por entre essas pernas maldosas/ abertas para mim”. 


Fonte da Imagem: Capa do álbum "Unwritable" | tikamusic.com

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