Supersônicas

A boca fértil de Curumim
Novo disco do músico

quarta, 31 de maio de 2017

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Multinstrumentista cevado na bateria e na hábil utilização do banco de dados da programação eletrônica MPC (Music Production Center), o paulistano Luciano Nakata Albuquerque, o Curumin, chega ao quarto título solo, o conceitual “Boca” (Natura Musical).

O álbum impacta o ouvinte a partir da capa e projeto gráfico, da também cantora e compositora Ava Rocha (filha de Glauber): o rosto do artista de pálpebras fechadas e o olho entre os lábios.

Autor da maioria das faixas, em decupagem seriada, só ou com parceiros, Curumim convida na primeira, “Bora passear”: “Pra dentro dessa noite escura/ deixa eu te levar”. E viaja do rap, “Tramela” (com Rico Dalasam) ao partido alto, “Paçoca” (com Andréia Dias, Anelis Assumpção, Iara Rennó e Max B.O.), sempre desfiando uma grande variedade de timbres e texturas, com poucos instrumentos e muitos recursos.

Das mudanças de andamento de “Prata, ferro, barro” (“um bafo quente me engole/ em ondas navegantes”) ao reiterativo “Cabeça” (“hipocampo/cabeça”) e as contorsões de “Terrível”, parceria com Russo Passapusso, do Baiana System, que assina a “Parte 2” de “Boca pequena”: “Granada sem pino na caixa do peito/ explodindo na cuca/ grooves, graves, movies”.

Na corrosiva “Parte 1”, do próprio Curumim, farpas contra o poder: “Entre o trono do rei/ e o banco dos réus/ passeia o neo coronel”. Há ainda a “Boca cheia” (parceria com a espanhola Indee Styla), numa linha soul funk, e “Boca de groselha”, de incondicional refrão pop: “Deu brecha/ deu bandeira”. 

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