Música

A Cor do Som volta a fazer disco instrumental com o 'Álbum Rosa'

quinta, 13 de agosto de 2020

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A Cor do Som lançou, no final de julho, seu novo disco, o "Álbum Rosa". 100% instrumental, o álbum vem com oito músicas, sendo metade do repertório de releituras do cultuado LP "Ao Vivo”, gravado no Festival de Montreux em 1978, duas delas nunca gravadas antes em estúdio. As outras quatro foram gravadas em LPs de 1977 a 1981.

O álbum foi lançado dia 30/07, somente nas plataformas digitais.

Leia abaixo a resenha assinada pelo jornalista e crítico musical Antônio Carlos Miguel

Quem nunca pensou em poder voltar no tempo, desde que com o conhecimento e a experiência acumulados durante a vida? Pois esse sonho, de certa forma, é permitido a músicos e é o que fazem em seu último disco os senhores rapazes d’A Cor do Som. “Álbum Rosa” é arrebatadora viagem no tempo, à essência do grupo. Suas oito faixas são temas instrumentais que se espalhavam por quatro álbuns, editados originalmente entre 1977 e 1981, quando A Cor do Som surpreendia o Brasil (e o mundo) com sua peculiar fusão de ritmos brasileiros, rock progressivo e jazz. Duas dessas composições, por sinal, só agora ganham suas primeiras gravações em estúdio. Elas estrearam no palco do Festival de Jazz de Montreux, na Suíça, em julho de 1978, quando foram registradas para ao disco “Ao Vivo”, lançado pela Warner no mesmo ano.

“Álbum Rosa” cumpre diversos papéis. Paga dívida com muitos dos seguidores, e da música instrumental brasileira em geral, que sempre cobraram um novo disco integralmente instrumental da banda que tanto frescor e inovação injetara ao gênero. Naquele fim dos anos 1970, no Brasil, bombavam as carreiras de Hermeto Pascoal, Egberto Gismonti, Sivuca e muitos outros instrumentistas. Também estavam em alta o choro, vivendo então sua renascença, que se mostrou duradoura, e o interesse pela diversidade rítmica nordestina (do frevo baiano dos trios a xote, baião e companhia). A esses ingredientes, A Cor do Som adicionou componentes do rock e a experiência como músicos em diferentes grupos e também acompanhando artistas da MPB.

O repertório revisto nesse disco também confirma o quanto a Cor esteve à frente do tempo, abrindo uma trilha nova para a música brasileira. Caminho que, por diferentes razões (pauta para os repórteres investigarem!), os próprios não chegaram a explorar a fundo. Agora, com a bagagem acumulada nessas décadas, eles se jogam com prazer e reafirmam a maestria em seus instrumentos. “'Álbum Rosa” traz o quinteto original, que voltou no século XXI e desde então se mantém - Armandinho, Ary, Dadi, Gustavo e -, e outro ex-novo-baiano que também tinha passado pela Cor, Jorginho Gomes.