Supersônicas

A gata café
CD de Toninho Ferragutti

sexta, 20 de janeiro de 2017

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Quando tocava em gafieiras na década de 1980, o acordeonista paulista de Socorro, Toninho Ferragutti fez suas primeiras experiências com o formato quinteto, que esbanja adrenalina no CD “A gata café” (Borandá), décimo de sua carreira. 

O roteiro inclui duas da época, os choros de encerramento “Chapéu palheta” e “O mancebo”, inspirado no álbum “São Paulo no balanço do choro”, do pianista Laércio de Freitas, o “Tio”, o coleante samba canção “Santa gafieira”, a ambígua “Cortejo do rio do Peixe”, com levada que lembra - mas não é - maracatu, o frevo “Bipolar” (feito sob encomenda para o maestro pernambucano Spok) e a orientalista “Beduína”

Integram o quinteto com o solista do acordeon, também responsável pela direção musical, arranjos e composições, Cássio Ferreira (sax), Vinicius Gomes (guitarra e violão), Thiago do Espírito Santo (baixo) e Cleber Almeida (bateria). 

Há uma homenagem intitulada “Egberto”, “um forrozão cheio de respirações e espaçamentos, a cara do Gismonti”, comenta ele, e outra a então presidente Dilma Rousseff no auge da popularidade, “Com a búlgara atrás da orelha”, inspirada na tradição do Leste Europeu. 

E mais: um tango, “Nem sol, nem lua” e a valsa título, dedicada a um felino que ele adotou para só descobrir que a gata era gato. Da mesma forma, o acordeon de TF tem uma singularidade, que ele explicou na entrevista do release ao jornalista Carlos Calado

“Só no final da década de 1980 é que fui escutar acordeonistas como Dominguinhos e Luiz Gonzaga. Eu ouvia muitos saxofonistas, porque meu pai tocava sax, um instrumento de sopro com palheta de bambu, já a sanfona tem palhetas de aço. A proximidade entre estes instrumentos é grande, inclusive no fraseado, no pensamento melódico”, decupa.

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