Bernardo Ramos Quinteto lança 'Cangaço' no Rampa Lugar de Criação

segunda, 19 de agosto de 2019

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As composições de Bernardo Ramos são muito inspiradas na obra de diretores como David Lynch e Glauber Rocha.

“Não que eu queira criar uma música imagética, mas se trata de correr os riscos que eles correram. Nos filmes do Lynch, por exemplo, você tem uma enxurrada de sensações, mas não necessariamente entende a trama. Como é isso na música? Onde está esse risco?”, indaga o guitarrista e compositor, que lança “Cangaço” a bordo do seu quinteto pela nova gravadora Rocinante. O primeiro show de lançamento será no sábado, 24 de agosto, às 20h, no Rampa Lugar de Criação, em Copacabana. Ingressos a R$ 30.

Com faixa-título dedicada a Glauber e Lynch, “Cangaço” reúne sete composições, todas inéditas e coproduzidas por Sylvio Fraga. Seis delas nasceram nos dedos de Bernardo e apenas uma, “Pro Bernardo”, foi presente de Itiberê Zwarg, um de seus mestres. Por dez anos Bernardo atuou na Orquestra Itiberê e, com ela, gravou três álbuns. Esse período foi muito rico para o então jovem músico, hoje com 37 anos.

“Sou muito grato a ele. Vivemos uma experiência tão boa! Essa música traz um lado mais subterrâneo do Itiberê que ele quase não mostra”. Todas estão no roteiro do show no Rampa!

Influenciado pelas cordas mágicas de Toninho Horta, Heraldo do Monte, Egberto Gismonti, Lula Galvão, Sérgio e Odair Assad, Bernardo também se embriaga na fonte inesgotável de Hermeto Pascoal.

“Hermeto é conhecido por fazer música arrojada com elementos de maracatu, frevo, baião. Esses elementos estão na minha formação e consigo percebê-los na minha música, porém, escondidos atrás de um cacto”, conta, brincando com o nome do disco.

“Mas não tenho o menor interesse em produzir um som hermético. A lição mais preciosa que se tira de alguém muito criativo é a busca de um caminho próprio, e a coisa mais idiota a se fazer é imitá-lo”, avisa logo.

De fato, "Cangaço" soa como se fosse cinema para os ouvidos. A faixa título do disco determina, junto a "De quê!?" e "Intensidades I", uma linguagem experimental e desafiadora. Fazendo o contraste necessário, surgem duas líricas baladas: “Sem barganha” foi a faixa que ele compôs em menos tempo: apenas 25 minutos. Depois de pronta, tentou mudar uns acordes e não conseguiu, tamanha a força da sua simplicidade. “Aprendi com o Hermeto a não ter nenhum compromisso com o complicado”, ensina. “Gratidão” cairia bem em muitas películas clássicas e evoca uma valsa brasileira.

O Bernardo Ramos Quinteto é Bernardo Ramos (guitarra e composições), Beth Dau (voz), Rafael Rocha (trombone), Bruno Aguilar (contrabaixo) e Felipe Continentino (bateria).

MAIS SOBRE O LÍDER DO QUINTETO:
O carioca Bernardo Ramos é guitarrista, compositor, arranjador e produtor musical, com trajetória marcada pela orientação direta dos mestres Itiberê Zwarg e Hermeto Pascoal. Aos 17 anos, foi convidado por Itiberê a integrar sua primeira formação como líder – um trio – com o qual pode dividir palcos com outros grandes mestres, como Heraldo do Monte e Nenê. Sendo membro da Itiberê Orquestra Família durante dez anos, gravou três álbuns e se apresentou nas mais importantes salas de concerto do Brasil e da América Latina, além dos mais representativos festivais de jazz do país, incluindo viagens em turnês com Hermeto. Nesse período, Bernardo teve a oportunidade de absorver profundamente os princípios e as técnicas da escola hermetiana podendo desenvolver sua própria voz.