Música

Bossa Nova: A Exportação
Capítulo 7 da série especial BOSSA NOVA

terça, 25 de setembro de 2018

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Por um acaso eu tenho conhecimento de exatamente como a Bossa Nova começou a ser difundida e exportada para os Estados Unidos.

Havíamos estreado no “Au BonGourmet” o nosso primeiro “pocket-show” chamado “Encontro” com Antonio Carlos Jobim, Vinicius de Moraes, João Gilberto e Os Cariocas.

Nesse show apresentávamos em 1a audição , músicas como “Garota de Ipanema”, “Samba do Avião”, “Astronauta”, “Samba da Benção” e outras.

Visitava o Rio, naquela ocasião, um “discjockey” de Washington, capital dos Estados Unidos, chamado Felix Grant, que uma noite apareceu para ver o show. Naquela noite veio falar comigo e perguntou-me se poderia encontrar discos das músicas executadas no show. 

Disse-lhe que aquelas músicas eram inéditas e ainda não haviam sido gravadas, mas que ele poderia adquirir outros discos de Bossa Nova, que já se encontravam à venda. Depois disso, ele passou a assistir o show todas as noites, comprou os discos que pode encontrar e voltou para Washington. Lá, iniciou uma divulgação intensa, por intermédio de seu programa, da nossa Bossa Nova.

Em viagens de concertos, passaram por lá músicos como Stan Getz e Charlie Byrd, que imediatamente se interessaram pelo novo estilo que vinha do Brasil. Stan Getz inclui, no seu próximo disco, ”Desafinado”, que logo atingiu as paradas de sucesso. Depois veio “Samba de Uma Nota Só”, mais alguns e finalmente o disco “Getz-Gilberto” que estourou com “Garota de Ipanema”. Dois fatos estão ligados à realização desse disco.

A presença de João Gilberto em Nova York que havia permanecido lá, depois do “badalado” espetáculo de Bossa Nova no Carnegie Hall. E a presença de Astrud Gilberto durante a gravação, que depois de grande insistência da parte de Stan Getz, consentiu em cantar um “chorus” em inglês, da “Garota de Ipanema”. O sucesso da música provocou um lançamento de um compacto simples no qual a parte de João Gilberto (em português) foi cortada, ficando somente a interpretação de Astrud. O Disco chegou a número 1 nas paradas. E assim nasceu a carreira de Astrud Gilberto nos Estados Unidos.

E a Bossa Nova começou a tomar conta do mercado fonográfico americano. “Desafinado”, “Samba de Uma Nota Só”, “Garota de Ipanema”, todas músicas de Tom Jobim.

Outra carreira se inicia, a de Tom, que daria ao mundo inteiro uma série de sucessos.

Tom grava seu primeiro disco na “Verve” e lança “Meditação”, “Insensatez” e outros. Mais discos de Tom com “Samba do Avião”, “Surfboard”, etc. Foi uma carreira de compositor que conseguiu impregnar a música americana de toda a nossa Bossa Nova. E culminou com um disco de Frank Sinatra, só com músicas de Tom. E vamos aqui registrar um fato interessante. Até hoje, Antonio Carlos Jobim é um dos compositores mais executados nos Estados Unidos e isso entre todos os compositores americanos.

Essa “onda” de Bossa Nova instigou a “importação” de uma quantidade de músicos brasileiros por parte dos Estados Unidos. João Gilberto e Astrud já estavam lá.

Sérgio Mendes desembarca com um grupo incluindo Wanda Sá e Rosinha de Valença.

Walter Wanderley, depois do sucesso de “Samba de Verão”, parte com Zelão e Cláudio Slon.

Depois outra série de músicos como João Donato, Doum, Sivuca, João Palma, Ayrton e Flora Plurim, Chico Batera e Hermeto Pascoal.

Programas de televisão com Andy Williams promoveram a presença do próprio Tom, de Dorival Caymmi, Marcos Valle, o Quarteto em Cy, e Oscar Castro Neves.

Depois, Edu Lobo e Francis Hime e finalmente, Eumir Deodato.

ALOYSIO DE OLIVEIRA


Nota: "Este depoimento sobre 'Bossa-Nova' não tem nenhuma intensão de ser nformativo didático sobre o assunto. Ele é somente um panorama visto com os meus olhos, contendo fatos vividos por mim e observações exclusivamente minhas. Se fosse feito por outra pessoa que também viveu o assunto, esta poderia citar outros fatos e descrever outros momentos também importantes. Portanto, se alguma coisa aqui deixar de ser mencionada é porque não recorri a informações de outras fontes, e sim, baseei-me somente nas experiências em que tomei parte, nesta fase da música brasileira que foi uma das mais importantes de sua história." Aloysio de Oliveira

Fonte do texto: extraído do CD box "Bossa Nova, sua história, sua gente" nas palavras de Aloysio de Oliveira.



Este é o sétimo de 7 artigos - e último -, contados pelo olhar de Aloysio de Oliveira, sobre a história e os artistas que contribuíram na construção e divulgação de um movimento importante da música popular brasileira no final dos anos 50: a Bossa Nova. Não deixe de conferir os outros seis capítulos dessa série abaixo!


Clique nos links abaixo e se surpreenda com esta série especial:

Capítulo 1 - Bossa Nova: Antes, uma conversa necessária 

Capítulo 2 - Bossa Nova: O Ritmo, a Melodia, a Letra 

Capítulo 3 - Bossa Nova: A Interpretação, a Harmonia e as Influências 

Capítulo 4 - Bossa Nova: O Princípio da Evolução ou Fase Pré-Bossa Nova 

Capítulo 5 - Bossa Nova: Chegava eu no Rio depois de 18 anos de ausência 

Capítulo 6 - Bossa Nova: Os Compositores, os Intérpretes, os Trios e os Conjuntos 

Capítulo 7 - Bossa Nova: A Exportação (lendo agora)


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