Música

Bossa Nova: O Princípio da Evolução ou Fase Pré-Bossa Nova
Capítulo 4 da série especial BOSSA NOVA

sábado, 15 de setembro de 2018

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Cantores como Dick Farney e Lúcio Alves sofreram influências de Bing Crosby, Russ Columbo e mais tarde Sinatra, com suas interpretações e, no entanto, nos deram “Copacabana”, “Alguém Como Tu”, “Valsa de Uma Cidade” e “Sábado em Copacabana” de compositores como João de Barro, Alberto Ribeiro, José Maria de Abreu, Ismael Netto, Caymmi e outros.

Cantoras como Dolores Duran e Doris Monteiro, de Dinah Shore, Peggy Lee, etc. No entanto Dolores Duran, que se chamou “Duran” por ser cantora de boleros, passou a ser uma das maiores intérpretes da nossa música, e nos deixou, como compositora, músicas que ficarão para sempre. Já em 1953, Tom Jobim e Billy Blanco nos ofereciam a “Sinfonia do Rio de Janeiro”, um trabalho audacioso que já revelara o caminho da Bossa Nova.

Tudo isso já marcava principalmente, a transformação do estilo interpretativo da nossa música. Cantar “baixinho” sem os “dó de peito”, e sem as manifestações da voz empostada, emitindo a voz sem esforço, procurando “dizer” a letra de modo suave e agradável, foram as tendências desta fase, que poderíamos chamar de Pré-Bossa Nova. Vamos chamá-la assim somente para uma orientação cronológica, visto que teoricamente, é errado usar esse termo.

Para se dizer “Fase Pré-Bossa Nova” teríamos que estabelecer exatamente a data em que a Bossa Nova nasceu. O que seria impossível porquanto  a Bossa Nova não nasceu em nenhuma data específica; ela “surgiu” de uma evolução que vinha de longo tempo.

Muita coisa apareceu durante essa fase.

Muita gente participou dela.

Muita gente colaborou para o seu caminho definitivo.

O “Clube da Chave” e a “Boite Plaza” eram os pontos de encontro dessa moçada que sentia a necessidade de expressar essa nova modalidade de fazer e interpretar a música popular: Tom Jobim, Johnny Alf, Dolores Duran, João Donato, Billy Blanco, Luíz Eça e Sylvia Telles (esses 2 últimos, se escondiam no “toilete” por serem menores de idade, quando acontecia o comparecimento do fiscal).

Seria difícil, senão impossível, dar o devido crédito a cada um, de sua participação direta ou indireta nesse movimento, que viria a ser um dos mais importantes da nossa música. Nem eles mesmos, sabiam o que estava acontecendo.



Nota: "Este depoimento sobre 'Bossa-Nova' não tem nenhuma intensão de ser nformativo didático sobre o assunto. Ele é somente um panorama visto com os meus olhos, contendo fatos vividos por mim e observações exclusivamente minhas. Se fosse feito por outra pessoa que também viveu o assunto, esta poderia citar outros fatos e descrever outros momentos também importantes. Portanto, se alguma coisa aqui deixar de ser mencionada é porque não recorri a informações de outras fontes, e sim, baseei-me somente nas experiências em que tomei parte, nesta fase da música brasileira que foi uma das mais importantes de sua história." Aloysio de Oliveira

Fonte do texto: extraído do CD box "Bossa Nova, sua história, sua gente" nas palavras de Aloysio de Oliveira.




Este é o quarto de 7 artigos, contados pelo olhar de Aloysio de Oliveira, sobre a história e os artistas que contribuíram na construção e divulgação de um movimento importante da música popular brasileira no final dos anos 50: a Bossa Nova. No próximo capítulo, o tema abordado será a chegada do Aloysio no Rio e as mudanças que caracterizaram esse gênero musical. Enquanto isso, não deixe de conferir e saber mais sobre o tópico citado acima!

Clique nos links abaixo e se surpreenda com esta série especial:
Capítulo 4 - Bossa Nova: O Princípio da Evolução ou Fase Pré-Bossa Nova (lendo agora)
Capítulo 5 - Bossa Nova: Chegava eu no Rio depois de 18 anos de ausência (em breve)
Capítulo 6 - Bossa Nova: Os Compositores, os Intérpretes, os Trios e os Conjuntos (em breve)
Capítulo 7 - Bossa Nova: A Exportação (em breve)


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