Supersônicas

“Cabaça d’água”, o CD premiado de Alberto Salgado
por Tárik de Souza

quarta, 16 de agosto de 2017

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“Melhor álbum” na categoria Música Regional, na 28ª. edição do Prêmio de Música Brasileira, o brasiliense Alberto Salgado mostra a que veio em “Cabaça d’água”, seu segundo disco (“Além do quintal”, o primeiro, saiu em 2014), com dez faixas de sua autoria ou com parceiros.

Em sua trajetória de autodidata forjado nas rodas de capoeira, desde os 8 anos, em Sobradinho, e no violão percussivo, de formação clássica, Alberto diz que seu som surge de dentro para fora, “num processo abstrato, muito mais sinestésico que auditivo, mais intuitivo que racional, diferente da letra, externa, mais fria. As palavras não saem das notas, mas respeitam a métrica”, descreve.

Poliglota rítmico, ele recorre ao baião acendrado em “Oi”, ao xaxado, no aflito “Pele debaixo da unha”, dialogado com Silvério Pessoa, e ao afro, nos proparoxítonos de “Oferenda” (“página”, “êxtase”, “vórtices”, “bálsamo”). “Da jangada em pleno mar” (“é assim que meu peito está/ diante das injustiças sociais”), entre o reggae e o bumba meu boi, prega a reinvenção da utopia. Na faixa título, iniciada por berimbaus em riste (e uma locução que rememora o crime ambiental da impune mineradora Samarco, na bacia do Rio Doce, em Minas Gerais), Salgado, em parceria com Werner Schelle, desafia: “Se agora no mundo acabasse água de beber/ e no fundo de um copo restasse sede de viver”. Em “Ave de mim”, com Chico Cesar, que participa da faixa, apunhalada por falsetes, a pregação é libertária: “Me deixa ir/ me faz voar/ até faltar o ar”.

Arthur Maia reveza-se nos baixos fretless e elétrico, em sua parceria com o solista, na djavânica “Histórias do vento”.  No Instagram, um inesperado fã, Chico Buarque, postou uma foto segurando a capa de “Cabaça d’água”, com a pergunta: “O que está esperando para adquirir o teu?




Fonte da Imagem: http://bit.ly/2i7eXCQ 

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