Supersônicas

Claudette Soares e a bossa do samba canção de amor
por Tárik de Souza

quarta, 25 de outubro de 2017

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Carioca radicada em São Paulo, a ex-Princesinha do Baião, Claudette Soares tornou-se militante de primeira hora da bossa paulistana, a partir de seu bunker no Juão Sebastião Bar, uma espécie de Beco das Garrafas local.

Em “Canção de amor” (Kuarup), ela celebra o anterior samba canção, inspirada no livro “A noite do meu bem” (Cia das Letras, 2015), de Ruy Castro. Para não engessar o repertório nas décadas de 1940 e 1950, apogeu do estilo, Claudette e o produtor Thiago Marques Luiz dilataram o conceito. A pós-bossa de João Donato (“Até quem sabe”, com Lysias Ênio, 1973) foi incorporada, assim como a balada blues de Ângela Ro Ro (“Tola foi você”, 1979), o bolero de Cristóvão Bastos (“Resposta ao tempo”, com Aldir Blanc, 1998) e a canção MPB de Chico Buarque (“Tatuagem”, com Ruy Guerra, 1973). Mesmo dois marcos fundadores da bossa, “Foi a noite”, de Tom Jobim e Newton Mendonça, de 1957, e “Fim de noite”, de Chico Feitosa e Ronaldo Bôscoli, de 1960 foram admitidos entre os sambas canções da seleção.


fonte da imagem: http://bit.ly/2z5I3df


Mas, salvo tais firulas estéticas – e já que o título generaliza, “canção de amor” – importa mais a performance sempre confidente e sedutora de Claudette e o nível refinado das escolhas. Acompanhada apenas por Alexandre Vianna (piano, direção musical, arranjos), João Benjamim (baixo acústico), Rafael Lourenço (bateria) e Rafa Clarin (sopros), numa só noite de gravação (29/4/2017), a cantora enfileirou clássicos atemporais. Entre eles, “A noite do meu bem” (Dolores Duran, 1959), “Canção de amor” (Elano de Paula/ Chocolate, 1950), “Meu mundo caiu”, “Resposta” e “Ouça” (todas de Maysa, lançadas entre 1956 e 1958). E mais, “Saia do caminho” (Custódio Mesquita/ Evaldo Ruy, 1946), “Molambo” (Jaime Florence/ Augusto Mesquita, 1953), “Dó-ré-mi” (Fernando Cesar, 1955) e ainda duas de Haroldo Barbosa, “Bar da noite” (com Bidú Reis, 1953) e “Meu nome é ninguém” (com Luis Reis, 1962). 


Fonte da imagem: http://bit.ly/2yNUTvm 


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