Um papo com o Cazes

Dez dicas práticas para fazer uma boa produção independente sem sair no prejuízo
VERSÃO 2018

quinta, 10 de maio de 2018

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Escrevi o texto com o título acima em 2005 e ele teve boa circulação na época. Atualizei os conceitos e detalhes técnicos e aqui vai a versão 2018 dessas dicas, que ainda podem ajudar.


1-Filosofia e planejamento

Para gastar o mínimo e ter o máximo de resultado é muito importante ter em mente o jeitão da gravação que se vai fazer. Um planejamento detalhado evita por exemplo que se grave algo que depois será dispensado ou que tenha que se refazer uma base porque ficou fora do clima.

O que não adianta também é delirar. Começar gastando muito e ficar no meio do caminho. A melhor gravação é aquela que se consegue fazer até o final.


2-Um produtor ou diretor de estúdio

Principalmente quando as pessoas envolvidas no projeto não têm experiência em estúdio, é melhor chamar um produtor mesmo que seja apenas para fazer a direção da gravação. Pode parecer estranho, mas tendo-se um diretor de estúdio competente gasta-se menos tempo (e dinheiro) e ganha-se em qualidade.


3-Escolha do repertório

É um dos pontos que o pessoal novo mais quebra a cara, principalmente os que não são compositores. Uma gravação independente deve ter os direitos autorais negociados antes de começar, por dois motivos. O primeiro é você saber quanto vai ter que pagar para as editoras na hora de lançar o produto, físico e/ou digital. O segundo é que se o preço for muito alto você tem a opção de gravar outra música e até usar obras de domínio público.


4-Escolha do estúdio

Existe uma falsa impressão de que como existem mais estúdios hoje em dia, as opções para gravar bem também aumentaram. Não é bem assim.

A maioria dos estúdios baratinhos são ruins e só servem para uma gravação que não envolva nada ou quase nada de som acústico. Faltam microfones de qualidade, pré-amplificadores, etc. 

Tente negociar um bom preço num estúdio melhor, pagar antecipado para ter desconto, mandar de véspera o plano de gravação para poupar tempo de arrumação do estúdio, enfim, faça o seu investimento valer em qualidade.


5-Ensaios com o produtor

Se você tem a chance de ensaiar na presença do diretor de estúdio será ótimo. A partir do ensaio ele fará um plano eficaz para a gravação.

Em caso contrário procure chamar gente experiente no estilo a ser gravado. E lembre-se do conselho que um dia o veterano Chiquinho do Acordeom me deu:

“Para a gravação, chama os melhores. Não chama seus amigos porque se eles tocarem mal você não vai poder nem apagar.”


6- Resolvendo na hora

Tente resolver o máximo das questões de timbre na hora em que você está gravando senão sua mixagem vai ser uma obra de igreja. Não acredite nessa história de que “na mixagem a gente conserta”. 


7-Média de monitores

Ouça sua mixagem em casa muitas vezes e em outros lugares que você esteja acostumado a ouvir música. A média de resultados pode te ajudar a decidir se está OK..


8-Capa e/ou material de promoção

Normalmente quando se chega nesta etapa o dinheiro já acabou ou está acabando. Isso ajuda a explicar a grande quantidade de capas medonhas. Não adianta caprichar no som e fazer uma capa horrível. Chame um designer gráfico, faça fotos com um profissional. O investimento vale a pena.


9-Venda física ou digital

Tenha em mente que a gravação em si é um mal negócio, mas que ela é indispensável para uma carreira. A venda física ainda dá um retorno maior no Brasil que a digital.


10-Tipos de assessoria de imprensa

É importante definir o público alvo para buscar a assessoria certa, que atue nas mídias que interagem de fato com esse público. 


Boa sorte com sua gravação.  Pela minha experiência posso afirmar, após dezenas de produções, que não fiquei nem mais rico nem mais pobre, só muito mais feliz.


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