Música

Diogo Nogueira fala ao IMMuB sobre seus 40 anos e os novos projetos

terça, 04 de maio de 2021

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Diogo Nogueira completou 40 anos de idade no dia 26 de abril mostrando que ainda tem muito o que oferecer para a música brasileira. A comemoração foi em grande estilo, com uma live em seu canal do YouTube, como as que já vinha fazendo desde o início da pandemia, levando muito samba, comida gostosa e alegria para o público impedido de assistir a shows presenciais. 

No último ano, apesar da paralisação de diversos setores da Cultura, Diogo conseguiu manter-se ativo e produtivo. Além das lives, lançou no final do ano passado o single “Bota pra tocar Tim Maia”, que já se incorporou aos hits de sua carreira e ainda reverbera nas rádios. 

No início desse ano, mais uma surpresa: o lançamento da trilogia “Samba de Verão”. Trata-se de um projeto audiovisual gravado em cima de uma balsa na Baía de Guanabara, que desaguou em 3 álbuns distintos: “Sol”, “Céu” e “Lua”, disponíveis nas plataformas de streaming e no YouTube. 

Foto: Divulgação 

Sobre esses projetos e outros assuntos, como os 80 anos de João Nogueira, que serão celebrados em novembro deste ano, Diogo Nogueira conversou com o IMMuB por e-mail. 

Confira o papo logo abaixo:

IMMuB: Com 40 anos recém-completados e com mais de 10 anos de carreira, somando experiências até como ator e apresentador, que balanço você faz da sua trajetória?

Diogo: Um balanço bom. Olhar para trás e ver o que construí nesses anos todos com muita verdade, sinceridade e honestidade é gratificante. Sou um cara privilegiado e feliz. Amo o que faço, tenho grandes amigos, uma família linda, e a única coisa que me entristece é ver nosso povo e nosso país sendo sacaneado por gente que nunca poderia estar onde está. Mas sou um otimista e, apesar deles, amanhã há de ser outro dia, como diria nosso querido Chico Buarque.

IMMuB: Quais caminhos ainda pretende explorar?

Diogo: O tempo passou rápido e às vezes até me espanto com tudo que fiz ao longo de 13 anos de carreira. Com certeza temos muitas coisas para fazer. O mundo das artes é um lugar infinito e toda semana tenho novas ideias e projetos. Quero muito fazer cinema e isso é um dos meus objetivos quando penso em projetos futuros.

IMMuB: Você já é hoje um dos grandes nomes do samba contemporâneo, que acumula uma discografia sólida e muitos sucessos que caíram no gosto popular. Qual a importância de representar o samba em 2021?

Diogo: Sou filho de um sambista consagrado, o que muito me orgulha. Na minha casa a música sempre esteve presente e convivi com grandes músicos, o que foi um grande aprendizado. Trago esse legado comigo, essa responsabilidade com a história do samba e da minha família. Eu sou um cara dedicado, amo o samba, pesquiso, quero sempre aprender mais. Procuro buscar um caminho que retrate a minha verdade, Daquilo que gosto de cantar e de ouvir e daquilo que fale ao coração. Essa busca é permanente. Só canto o que gosto, o que me cativa, o que me emociona. 

IMMuB: Nesse período de pandemia, você foi muito atuante. Foram diversas lives, alguns singles e a recente trilogia dos álbuns “Sol”, “Céu” e “Lua”. Como foi a experiência de produzir esses trabalhos durante a pandemia e de onde veio a vontade de continuar produzindo durante esse período?

Diogo: Não quis deixar a bola cair e quando vi os shows sendo cancelados e a gente sem perspectiva de apresentações ao vivo, com público etc., pensei sempre em fazer projetos, gravar singles, fazer as lives e até lancei um livro com minhas receitas preferidas na cozinha. E também porque tenho toda uma equipe que trabalha comigo que não podia deixar desamparada. Deu certo e não precisei demitir ninguém, o que atualmente é um grande feito dentro das dificuldades que todos nós da Cultura estamos passando. Sou inquieto, gosto de produzir, realizar coisas. Tudo com muito cuidado, claro.  O “Samba de Verão” foi um projeto muito importante e muito ousado, porque foi gravado no mar, em uma balsa, e ainda com participações do Zeca Pagodinho e do Grupo Fundo de Quintal, além de partideiros da nova geração do samba. A música “Bota pra Tocar Tim Maia” caiu no gosto do público e isso é muito gratificante. 


IMMuB: Além de um repertório autoral, você também se destaca pela valorização da memória de outros grandes sambistas, como seu pai, João Nogueira, o Paulo César Pinheiro e outros. Qual a importância de recorrer a essa memória?

Diogo: Meu avô João era Sergipano e de uma turma de músicos como Pixinguinha, Donga, Jacob do Bandolim... Depois com meu pai, recebi a música como herança e, mesmo querendo fazer outra coisa, que era jogar bola, não teve jeito e a música foi mais forte. Então, trago esta bagagem, tenho um olhar para o futuro sem esquecer do passado que é minha referência; abraço com carinho todos os gêneros do samba, que é o que move minha alma. Sempre procurei celebrar meus mestres. Canto João Nogueira, Zeca, Beth, Arlindo, Sombrinha, Moacyr Luz, Jovelina Pérola Negra, Jorge Aragão... Acho que tenho uma missão de trazer novidades para o meu público, mas também cantar sempre canções que são alicerces da música brasileira. Esses grandes artistas são de fato os nossos verdadeiros heróis.

IMMuB: Em novembro desse ano, seu pai faria 80 anos. Em maio, completam-se 42 anos da fundação do Clube do Samba. Como você avalia esse legado hoje?

Diogo: A criação do Clube do Samba por meu pai foi fundamental para valorizar o samba numa época em que ele andava esquecido. Foi muito forte naquele momento, deu muito certo e sua força permanece até hoje! Tanto que recriei a minha versão recentemente e fizemos shows com casa lotada nos dois últimos verões do Rio de Janeiro, quando a gente podia se aglomerar, e o público participou ativamente, dançando e cantando na maior alegria. E também o desfile do Bloco do Clube do Samba, que fazemos toda terça de carnaval na Avenida Atlântica e que o público comparece com muita animação todos os anos. São coisas que não podemos abrir mão. Samba é alegria e quem não gosta de samba é doente do pé... rss!