Na Ponta do Disco

'Entre a Viola, a Pena e a Espada': poesia e música dos 'filhos' do Colégio Santo Inácio
Por Tiago Bosi Concagh

quinta, 25 de março de 2021

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Não existe fórmula certa para determinar o quanto um colégio ou determinado sistema educacional influencia na obra de determinado compositor ou artista – por vezes muitos renegam os estudos e outros se rebelam totalmente contra o próprio sistema escolar reiterando tal negação em suas obras. No entanto, não podemos desprezar o fato de que no fim da década de 1950, início de 1960, em meio a efervescência sociocultural da Bossa Nova e do projeto desenvolvimentista no campo político, um colégio no Rio de Janeiro em particular se destacou como um verdadeiro “celeiro” de artistas e intelectuais: Os irmãos Valle, Edu Lobo, Nelson Motta, Paulo Coelho, Sidney Miller, Paulo Thiago, Arnaldo Jabor – a lista é extensa. Tal instituição educacional era o Colégio Santo Inácio na região do Botafogo, um colégio jesuíta que na época só aceitava meninos. Vale dizer que um outro menino também havia estudado lá décadas antes: o jovem Marcus Vinicius de Moraes – ou simplesmente o poeta, artista e intelectual, Vinicius de Moraes que em 1927 formou um conjunto musical no colégio ao lado dos colegas Haroldo e Paulo Tapajós

Fachada do Santo Inácio (Foto: Reprodução/PUC-Rio Núcleo de Memória) 

Assim, se existiram duas personalidades principais que influenciariam toda a chamada primeira geração da Bossa Nova podemos, no campo musical, citar João Gilberto e, no campo poético,  Vinicius de Moraes. É evidente que a música e poesia são elementos intrínsecos à forma-canção, mas não deixa de ser um casamento – e a Bossa Nova deve muito a tal união entre a lírica do poetinha e a batida de violão característica de Gilberto, casamento esse “arranjado”, claro, por Tom Jobim.

O jovem Vinicius de Moraes (Foto: Reprodução/Facebook) 

Os meninos do Santo Inácio bebiam de todo esse caldo cultural formativo como também toda aquela geração que cresceu na Zona Sul carioca. Um deles, Nelson Motta, cita em seu livro “Noites Tropicais” suas memórias desse período, ele em 1958 com 14 ou 15 anos, fascinado com o canto, a ele, estranho, mas cativante de Nara Leão e com todo o clima de novidade e modernidade que aquele cenário musical trazia. João Gilberto já era considerado um Papa das cordas – um artista venerado na época e que todos os meninos que dedilhavam as primeiras cordas do violão admiravam e desejavam imitar. 

Os temas do “sorriso, amor e a flor” imperavam dentro das temáticas poéticas compostas pelos artistas da época. E Vinicius já trazia a partir de seu conhecimento denso e erudito da palavra poética uma capacidade assombrosa de conceber letras que eram verdadeiros sonetos de amor “renascentistas”. O humanismo e a noção profunda da métrica poética (além de ler em latim e outros idiomas) imprimia nas letras do poetinha algo único, em especial, quando falava de amor ou do objeto de desejo.  “Garota de Ipanema”, por exemplo, é uma canção existencialista e um verdadeiro tratado sobre o tema da “fugacidade do belo na contemporaneidade” – remetendo à tradição poética de Charles Baudelaire e Stéphane Mallarmé. 

Vale dizer que uma das bases do ensino jesuíta no Brasil, além dos ensinamentos teológicos, é o estudo das chamadas Artes Liberais. Dentro delas há toda uma forte base de poesia, música e retórica. Padre Manuel da Nóbrega, um dos pioneiros do ensino jesuíta no Brasil já reiterava que muitos meninos "aprendem a ler e escrever e vão muito avante; (aprendem) a cantar e tocar flauta”. 

O ensino de música e poesia no Brasil pelos jesuítas esteve muito imbricado nas formas de colonização e evangelização dos grupos ameríndios. Os padres da Ordem de Santo Ignácio entendiam a música e a poesia como formas universais de comunicação humana. Não à toa na película “A Missão” (1986), que mostra de forma romantizada o processo de conversão dos nativos da região de Sete Povos das Missões, traz nas primeiras cenas um padre jesuíta, Gabriel, tocando oboé e permitindo assim a primeira interação com os nativos (vale dizer que a trilha do filme por Ennio Morricone é um espetáculo à parte). Assim, os jesuítas foram os primeiros catequizadores e professores do Brasil e a música e a poesia eram suas maiores armas de conversão e difusão do cristianismo e dos princípios da Ordem – mas nem sempre de forma pacífica e “musical”. A Ordem se tornou tão poderosa por sua capacidade de instrumentalizar as artes para seus próprios fins que acabou, por isso e por outros motivos de ordem política (como a luta e a condenação constantes da escravidão indígena), sendo banida em 1767 de todo território do Império Português (só sendo aceita novamente em 1814).

Assim, quase dois séculos depois, enquanto Vinicius de Moraes encantava com sua poesia toda aquela geração do fim da década de 1950, os meninos do Sto. Inácio e todas as turmas pregressas já eram incentivados há décadas (assim como fora Vinicius jovem) a compor sonetos, desenvolver a escuta musical e apurar e escrita e a retórica – ou parafraseando novamente o Pe. Manuel da Nobrega: incentivar os que chegavam “avante; a cantar e tocar flauta”. Além disso, tais alunos mais “desenvolvidos” nas chamadas sete artes liberais (separadas em duas categorias: trivium e quadrivium) eram ainda mais estimulados pelos padres por meio de concursos e desafios. O próprio código de conduta mor da ordem, o Ratio Studiorum, com 467 regras, também possuía um plano de estudos elaborado para os Colégios, com suas muitas normas que estimulavam a competição entre os alunos, por meio de premiações diversas.

Um dos vencedores de um concurso de sonetos realizado pelos padres da instituição foi o jovem Sidney Miller. Ele já demonstrava enorme talento e interesse pelas matérias ligadas a música e poesia e escreveu o soneto “Ilusão” que tirou 1º lugar em concurso. Na mesma época Sidney conheceria o futuro cineasta Paulo Thiago que era colega de colégio e vizinho de rua de Miller e com ele formaria entre 1965-66 o Grupo Mensagem que atuaria no espetáculo do Grupo Opinião em “Samba Pede Passagem” (1966) acompanhando Ismael Silva e Aracy de Almeida. Os dois colegas de colégio eram ávidos pelo violão, poesias e melodias e ficavam tardes compondo sambas, marchas e choros. A belíssima canção do Grupo, “Missão”, está no LP (Polydor) que surgiu do espetáculo. Além de Paulo Thiago e Sidney Miller, o Grupo ainda contava com o jovem Luiz Carlos Sá, além de Marco Antônio e Sônia Ferreira.  A canção é um samba de roda que já prenuncia diversos elementos poético musicais de Miller com uma visão de “missão” do artista em relação a condução do “povo” para um lugar melhor. 

Montagem: Otavio Filho

Estas primeiras incursões e parcerias do jovem Miller na poesia e na música já eram um ensaio de sua obra posterior que também se mostra imbuída de elementos caros à uma pedagogia humanista do colégio. Além dos elementos musicais e poéticos citados, os jesuítas também tinham em mente a concepção de “preparar o homem concreto para viver no cenário deste mundo”, conforme consta no próprio manual Ratio Studiorum. 

Reportagem de Ary Vasconcelos para a revista O Cruzeiro, 1967 

Ainda que toda essas questões relativas à formação jesuítica sejam bastante sedutoras no sentido de explicar parte da obra dos artistas que estudaram no Sto. Inácio, devemos também evitar uma visão determinista sobre a obra de cada artista. Aqui apenas inferimos que a importância do Colégio existiu para toda essa geração, mas a relação entre obra e formação não deve ser entendida como uma simples relação de causa e efeito – o grau da influência da educação é subjetivo e varia para cada aluno. 

Dito isso, entendemos que a formação dos alunos tinha um caráter progressista/ humanista por conta das suas famílias e ambientes frequentados. Os casos de dois alunos são emblemáticos: tanto Nelson Motta como Edu Lobo já tinham amplo capital cultural familiar. Entretanto, a escolha feita pela família pelo colégio dos filhos em muito reflete determinadas percepções de mundo e estruturas de sentimento. Como consta no livro de depoimentos sobre a turma formada em 1961:

“Nos anos 50 e 60 o Colégio Santo Inácio consolidou-se como a primeira opção da elite carioca para formação dos seus filhos. 

Era o pós-guerra onde além de advogados e médicos os meninos, embalados nos sonhos desenvolvimentistas de seus pais, buscavam profissões de engenheiros, economistas e no vasto mundo das artes”.

O Santo Inácio, dessa forma, se tornou uma escolha para determinada classe média alta carioca com visões humanistas e em certa medida progressista composta, em sua maioria, por profissionais liberais que aspiravam oferecer a seus filhos uma educação sólida e humanista. Além do desenvolvimento do chamado “lado artístico”. Vale ressaltar também a guinada à esquerda que muitos intelectuais tiveram na década de 1950 e que influiu diretamente para a constituição de uma burguesia nacionalista e progressistas. Além do Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB), a constituição da Juventude Universitária Católica (JUC) e a própria concepção de uma “teologia da libertação” estiveram imbricadas na passagem da década de 1950 para 1960 em uma formação de um campo nacionalista amplo de esquerda e na improvável e “estranha união” (como diria o grande historiador Eric Hobsbawn) entre setores da Igreja Católica com comunistas e socialistas. Isso tudo em função de uma perspectiva libertadora, humanista e anti-imperialistas que imperava em boa parte da intelectualidade do período. 

Essa visão humanista, com elementos progressistas e de formação desse “homem concreto” no “cenário do mundo” como consta na Ratio, muito se assemelha a elementos da das obras da Segunda Geração da Bossa Nova em um momento em que os temas políticos e nacionalistas já haviam suplantado a Bossa Nova lírica de flores e amores. O próprio Miller, vencedor do concurso de sonetos do Sto. Inácio, seria vencedor novamente em 1967 com a belíssima canção “A Estrada e o Violeiro”, interpretada por Nara Leão e “melhor letra” do III Festival de MPB da TV Record.

Sidney Miller nos anos 1960 (Foto: Reprodução/O Cruzeiro) 

Na canção são utilizadas paronomásias como em “meu canto é pranto, é pau, é pedra e pó” ou mesmo em “desafio e desafino” que são fina matéria poética por parte de Miller. Ele foi muito elogiado na época por sua canção em meio a tantas obras primas que se destacaram naquele festival histórico (“Alegria, alegria”, “Domingo no parque”, “Roda Viva”, “Ponteio”, “Maria, carnaval e cinzas”, para citar algumas), valorizando ainda mais a qualidade poética musical de sua obra. Em artigo de jornal, o artista foi muito elogiado por Augusto de Campos que se rendeu à beleza da canção (mesmo deixando claro que não gostava dos temas de “violas e marias”). A canção de Miller diz muito sobre o artista (violeiro) guiando o povo pela estrada em busca de um local utópico – tema muito comum em inúmeras composições do período (que também refletiam todo o espírito de resistência anti-regime militar). Miller constrói esse eu-lírico: um artista “do povo” e “para o povo”, que aponta para o futuro melhor do “dia que virá”. 

Um pouco antes, Edu Lobo, outro aluno dileto do colégio jesuíta, compôs “Borandá” para seu álbum com Maria Bethânia de 1966. A letra também reflete as mesmas percepções acerca da possibilidade de um futuro melhor, mediante a ação borandá, longe da “terra que já secou”. Em determinada medida, a música também traz elementos progressistas, religiosos e de cunho humanista. Já a canção “Ponteio” remete diretamente à “Estrada e o Violeiro” do colega Miller, reiterando a posição do violeiro como eu-lírico que lamenta a impossibilidade de poder tocar seu instrumento. Novamente o lugar de chegada é incerto, utópico: “Correndo no meio do mundo/ Não deixo a viola de lado/ Vou ver o tempo mudando/ E um novo lugar pra cantar”. 


Muitas dessas canções aludem à ideia desse “mundo novo”, entendido como impossibilitado pela Ditadura Militar, além de determinado senso de um “Brasil que não aconteceu” evocando o universo idílico e romantizado da Zona Sul carioca do final da década de 1950. Toda aquela geração viveu essa época e traduziu em suas canções elementos do gosto e talento poético e musical que o Sto. Inácio pode ter despertado. 

A partir dessa percepção subjetiva do mundo que aparece nas canções de “protesto” da época vale ressaltar um aspecto importante da formação pedagógica jesuíta: a Ordem acreditava na emancipação do sujeito em busca de Deus por uma “racionalidade dedutiva” que negava pedagogias conservadoras que focavam estritamente na “formação de caráter” – ademais também era um ensino baseado nos preceitos de Aristóteles e de São Thomas de Aquino que abominava qualquer visão de cunho sofista que reduzisse a centralidade da retórica e da argumentação ao homem. Assim, a ideia de busca por um topos e uma visão de emancipação do sujeito pela educação (Paideia) era também parte de toda a visão de pedagogia formativa. De modo que as artes eram a forma sublime de emancipação em busca dos ideais abstratos de Verdade, Justiça, Amor e, em última análise, da ideia de divino. 

Novamente reiteramos que seria arriscado fazer afirmações categóricas de como todo esse caldo pedagógico e filosófico influenciou direta e indiretamente na obra dos artistas que estudaram no colégio. Entretanto, não podemos deixar de observar semelhanças muito evidentes entre as concepções de emancipação do sujeito (e do povo) pela arte em busca de uma utopia – seja ela um “reino de Deus na terra”, seja ela um conceito de sociedade democrática, justa e igualitária negada por tudo que a Ditadura representava. As ideias de emancipação, artista e utopia aparecem na obra de Lobo, Miller, Marcos e Paulo Valle, como descrito aqui em suas canções de cunho mais “festivalesco”. 

Destaco aqui outra canção de mais dois “filhos” do Sto. Inácio: os irmãos Valle Marcos e Paulo Sérgio. Na canção “Viola Enluarada” (do álbum de 1968), o eu-lirico novamente aparece como um artista (ou intelectual) indeciso em relação à luta e à paz: ou entre a viola e a espada. “Quem tem de noite companheira/ Sabe que a paz é passageira/ Prá defende-la se levanta/ E grita/ Eu vou!/ Mão, violão, canção e espada/ E viola enluarada/ Entre campo e cidade”.


Mais uma vez percebemos na canção, e em outras dos Valle, o mesmo lugar incerto desse eu-lírico que constatamos nas canções de Miller e Lobo. A força poética da canção interpretada lindamente por Marcos Valle e Milton Nascimento se mostra extremamente potente em suas construções metafóricas quase sinestésicas: “Mata o mundo/ fere a terra”; “Viola em noite enluarada/ No sertão é como espada”. E era entre “a viola a espada” que a oposição ao regime e boa parte da “burguesia progressista” se dividia naquele momento de recrudescimento da Ditadura Militar.

Outra faceta, mais “canônica”, são as canções amorosas que eram elemento central dentro da tradição de sonetos, elegias e odes e base do currículo do ensino da lírica no colégio dos jesuítas. A obra dos artistas aqui arrolados caminha em diversos momentos por essa tradição poética amorosa. Vinicius de Moraes talvez seja o que mais produziu nesse sentido ao longo de sua vasta obra poética e musical. Desde antes de se dedicar à música de forma mais assídua, o poetinha já escrevia extensamente sobre o objeto amado e as agruras do amor. 

Edu Lobo, Sidney Miller e os irmão Valle também produzem na década de 1960 farto material lírico sobre a temática amorosa. Apenas a título de exemplo, canções de Lobo de seu álbum de 1967 (Philips) como “Canto Triste” e “Meu Caminho” e no álbum com Maria Bethânia de 1966 (Elenco), “Pra dizer adeus”, “Só me fez bem”, entre outras. Já Miller em seu álbum de mesmo ano (Elenco) também escreve uma série de composições com temáticas amorosas (ainda que aqui a lírica de Miller busque se aproximar mais do samba de Noel Rosa e Ismael Silva) como “Maria Joana” (para sua esposa na época Jeanne Marie), “Minha Nega”, “Chorinho do Retrato”. Marcos Valle, por sua vez, explorou o tema diversas vezes em seus álbuns de 1963 (Odeon), 1965 (Odeon) e 1968 (Odeon). Em seu primeiro álbum ainda mais próximo das temáticas da Bossa Nova de João Gilberto, Valle traz temas amorosos em quase todas as canções. A temática de comparação da mulher com a flor, tema clássico de sonetos e odes, aparece em sua canção “Moça Flor”. Edu Lobo também traz essa temática em “Rosinha”.  

Assim, vale ressaltar que a temática amorosa no Brasil, desde os chamados sambas-fossa até o próprio brega, é antiga e arraigada na tradição do cancioneiro popular. Porém essa tentativa de constituir uma matéria poético-musical inspirada nos clássicos e na tradição da poesia canônica diz muito sobre o tipo de cultura que determinada classe média intelectualizada (que podia estudar em colégios como o Santo Inácio) desejava produzir e consumir – e com isso sobre as próprias contradições inerentes à Bossa Nova e à formação da MPB. Assim, essa educação de elite que boa parte desses artistas puderam dispor refletiu diretamente em suas obras e acabou por gerar canções por vezes menos acessíveis e consumidas apenas por determinado nicho. 

A obra posterior desses artistas provenientes do Santo Inácio caminhou para vias diversas e bastante plurais. Na década de 1970 determinada visão de que a produção da década de 1960 era demasiada “ingênua” e “utópica” alterou significativamente as temáticas das canções e os projetos autorais de cada um deles. A indústria fonográfica a pleno vapor no país acabava por ditar estilos e fórmulas de sucesso menos vinculadas àquelas canções celebres da “era dos festivais” e próprias da chamada “esquerda nacionalista”.

De toda forma os “filhos” do Sto. Inácio nos deram (e continuam nos dando) verdadeiras pérolas poéticas e musicais que atravessaram gerações e até hoje carregam uma força lírica extremamente potente e tocante. Se de fato todo esse caldo formativo e cultural foi decisivo para a obra desses artistas é uma questão em aberto, porém sem sombra de dúvida o Brasil e os jesuítas têm uma relação antiga, complexa e muito atravessada pela poesia e pela música – e, evidentemente, pela educação, refletida nos Colégios e instituições jesuítas espalhados por todo país há séculos. Num desses colégios, na rua São Clemente em Botafogo, se formou uma geração que mudou para sempre a história da MPB. 


Tiago Bosi Concagh é historiador, professor e produtor cultural. Mestre em História Social pela USP e bacharel em produção cultural pela FAAP.  Idealizador do canal Na Ponta do Disco e do III Encontro de Música Brasileira: Sons da Diáspora, além de editor da Revista Lamella.

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