Tema do Mês

Frejat e os 40 anos do BRock

por Caio Andrade

sexta, 06 de maio de 2022

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Frejat, ícone do rock nacional, completa 60 anos em maio. Como se não bastasse, o BRock, movimento com o qual ele se destacou com a banda Barão Vermelho, completa 40 anos em 2022, tendo como marco zero o lançamento do primeiro álbum deles, “Barão Vermelho” (1982). Nada mais justo do que relembrar ambos nesse tema do mês, não é mesmo?


Barão Vermelho e o Rock Brazuca

Desde os anos 1960 o mundo já utilizava o rock para protestar contra diversos conflitos. No Brasil, bandas como Os Mutantes e movimentos como a Tropicália dialogavam com esse estilo, mas apenas com o fim da ditadura, nos anos 1980, que os protestos puderam ser mais livres e não camuflados nas entrelinhas de canções. Eis que começam a surgir diversas bandas e a consolidação de um estilo que foi sucesso de vendas. O escritor Arthur Dapieve criou o termo “BRock” para classificar o rock nacional da década de 1980 e o fenômeno mercadológico que ele foi. Inclusive, o rock desse período foi o último grande movimento musical do vinil brasileiro.

Nesse contexto, quatro bandas se tornaram não só sucesso de vendas como as mais influentes do movimento, sendo elas: Barão Vermelho, Titãs, Os Paralamas do Sucesso e Legião Urbana. Além delas, várias outras também merecem ser citadas tamanha popularidade, como é o caso de RPM, Capital Inicial, Blitz, Kid Abelha, Ira!, Ultraje a Rigor…e a lista só aumenta.

Barão Vermelho foi considerada a primeira banda a fazer um rock genuinamente brasileiro. O nome surgiu de uma lenda da aviação que fala sobre o piloto alemão Manfred Albrecht Freiherr von Richthofen, ou, o Barão Vermelho. A formação original contava com Cazuza (voz), Roberto Frejat (guitarra, voz), Guto Goffi (bateria), (baixo) e Maurício Barros (teclados). Lançaram seu primeiro álbum em 1982 pela Columbia/CBS, com destaque para as faixas “Bilhetinho Azul”, “Ponto Fraco” e “Down em Mim”. 

Capa dos 3 álbuns do Barão Vermelho com Cazuza, respectivamente 1982, 1983 e 1984.

A princípio, não fizeram muito sucesso. Só deslancharam verdadeiramente com a versão de “Pro Dia Nascer Feliz”, em 1983, na voz de Ney Matogrosso. A partir daí, o público começou a procurar a gravação original e o sucesso só aumentou, a ponto de serem convidados para compor a banda sonora do filme “Bete Balanço” de Lael Rodrigues em 1984. Além disso, se apresentaram no ano seguinte no primeiro Rock In Rio, com Cazuza e a banda vivendo um grande momento na carreira. Foram umas das atrações mais aguardadas do espetáculo.

No meio de entradas e saídas, Frejat assumiu os vocais da banda quando Cazuza, um dos mais queridos, decidiu seguir carreira solo. Em 1986, foi lançado o quarto disco da deles, “Declare Guerra”, sem grande êxito. No ano seguinte, Maurício abandonou também a banda, entrando Fernando Magalhães na guitarra e o percussionista Peninha. Da formação original, apenas Guto Goffi manteve sua atuação ininterrupta. Maurício Barros retornou no início dos anos 1990. 

Outros sucessos posteriores à saída de Cazuza foram “O Poeta Está Vivo”, “Por Você”, “Puro Êxtase” e “A Chave da Porta da Frente”, além de regravações de canções já bastante conhecidas pelo público como “Malandragem dá um Tempo”, “Amor, Meu Grande Amor” e “Vem Quente Que eu Estou Fervendo”.


Frejat 60

Roberto Frejat nasceu no Rio de Janeiro em 21 de maio de 1962. Cantor, compositor, guitarrista e produtor, se destacou como um dos principais guitarristas do rock brasileiro nos anos 1980. Foi no início dessa década que conheceu um grande amigo e parceiro musical, Cazuza, com quem integrou a banda Barão Vermelho por três álbuns: “Barão Vermelho” (1982), “Barão Vermelho 2” (1983) e “Maior Abandonado” (1984).  “Brown” e “Caju” eram o modo carinhoso como se chamavam.

Das músicas citadas anteriormente que foram sucesso da banda, a maioria teve Frejat como autor recorrente. Outros sucessos também foram “Todo Amor que Houver Nessa Vida” e “Milagres”, além de “Malandragem”, sucesso absoluto na voz de Cássia Eller. Essa canção, na verdade, seria destinada a outra cantora, Ângela Rô Rô, que acabou a recusando. Além de compositor, atuou também como produtor, com destaque para “Rei”, um álbum em tributo a Roberto Carlos.

Frejat. Foto: Divulgação/I Hate Flash

Entre parceiros e amigos, possui trabalhos ao lado de grandes nomes da MPB como Fundo de Quintal, Evandro Mesquita, Wally Salomão, Marisa Monte, Zé Ramalho, Lenine, Zeca Baleiro, entre diversos outros. Algumas das parcerias não tão óbvias do artista estão presentes no álbum “Intimidade Entre Estranhos”, lançado em 2008.

A relevância de Frejat na música brasileira pode ser traduzida por números: seja na quantidade de discos vendidos com o Barão Vermelho, seja no sucesso das rádios até sem o Barão, em carreira solo (destaque para “Homem Não Chora” e “Sobre Nós Dois e o Resto do Mundo”), no amontoado de prêmios que conquistou ao longo da carreira ou no recorde de participações do artista no Rock In Rio, não tendo participado apenas da edição de 1991. Ele é uma lenda viva do rock e da música nacional que merece todo carinho e reconhecimento. Sim, o poeta está vivo!

Parabéns, Frejat!




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