Jogada de Música

"Gerais", ode ao futebol brasileiro e ao torcedor corintiano

sábado, 05 de outubro de 2019

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Renato e Roberto, no mundo dos sonhos que toda criança que ama o futebol vive, bem poderiam ser o Augusto e o Rivellino, ou o Gaúcho e o Dinamite, mas entraram em outra área e são Martins e Didio. E tabelando de forma magistral na melodia e letras, com harmonia e ritmo, lançaram o CD “Gerais” no mesmo ano da malfada Copa das Copas, quando parece que foi dado o pontapé inicial de tudo de ruim que se abateu sobre o Brasil. Porém, aqui se valoriza o belo, e neste mês a Jogada de Música falará sobre um álbum inteiro, todo dedicado com honras e maestria a Roberto Jesus Didio, ao futebol brasileiro de raiz e, em especial ao Corinthians e ao seu fiel torcedor.

Todo em preto e branco das cores do Timão, o CD traz, como tradicionalmente ocorria em tempos idos, de 1 a 11, um time da melhor qualidade de composições, com destaque para os sambas. Músicas e letras não deixam negar: é saudosista como todo bom torcedor, seja de que geração for: meu avô foi, meu pai, e eu hoje sou, amanhã meu filho será, acho até que já é, depois meus netos e por aí vai. Ah, meu pai, muito bom lembrar dos meus primeiros tempos em que você me levava ao Maracanã. E de meu avô de mãos dadas, à Rua Bariri. Mas não são das minhas, mas de lembranças corintianas que a dupla vai desatando o nó da saudade. Das gerais (do Maracanã, inclusive, do Pacaembu), das bandeiras, do avô, do fim do jejum em 77, dos primeiros tempos como torcedor, de Corisco, do Magrão Sócrates, de Paulinho Nogueira, do futebol antigo.

De meu gosto particular, ponho como grandes craques desta seleção de composições “Gerais”, “Saudade do meu avô”, “Samba pro Magro”, “Parques de Paulinho Nogueira”, na qual a cuíca de Marcus Thadeu, em triangulação com a bela voz de Anabela e o violão de Glauber Braga, é o toque de classe do arranjo glauberiano, e “Hino do futebol moderno”. Abaixo, trechos de letras que Roberto Didio fez para algumas destas músicas para seduzir um pouco mais o leitor a não perder mais tempo e clicar no link lá em cima para ouvi-las e se presentear.

O Maracanã morreu por dentro, meu senhor/ Fez-se a desilusão do torcedor/ Quero de volta as gerais/ Que mal essa gente me faz/ Como fizeram nos carnavais” (“Gerais)

No Pacaembu faltam bandeiras, meu senhor/ Fez-se a desilusão do torcedor” (“Gerais”)

Domingo era meu dia de futebol/ Eu era rei nos ombros seus/ Pensando que podia até tocar o sol/ Beijando a camisa que você me deu” (“Saudade do meu avô”)

Entro no segundo tempo/ Faltando quinze para terminar/ Tem sangue na camisa/ No gramado ela desliza/ É obrigação honrar/ Põe efeito na criança/ Chega no ponta de lança/ É olhar, escolher e marcar” (“Hino do futebol moderno”)

Para terminar, meu agradecimento especial a Douglas Germano, craque que abriu esta série, e que me presenteou no início deste ano com seu espetacular CD “Golpe de Vista” e este “Gerais”, que tinha a falha de não conhecer. Agora, creio que, mesmo sem ter visto por onde a bola tinha passado, já me recuperei do frango tomado.  Até novembro!


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