Música

Haynna e os Verdes – Um Belo Álbum, ou, Um Disco Voador?

sexta, 24 de maio de 2019

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“Cheguei, já posso me apresentar, o caminho foi longo; mas valeu a pena...”. A frase da música “Louca”, que abre o álbum de Haynna e os Verdes define bem não só o disco homônimo da banda(...).

>>> Ouça o álbum no IMMuB <<<

Haynna e os Verdes! A belíssima voz da cantora se torna peculiar não só pela qualidade técnica, mas também por um sotaque que ninguém sabe de onde vem ao certo, mas que nos faz querer viajar para lá. Impressões a parte, a piauiense Haynna Jacyara canta muito, e só pelo vocal, o disco já alcançaria uma boa nota. Quanto ao instrumental, se você gosta de rock, você vai curtir. Se gosta de soul, você vai curtir. Se curte blues, vai amar. Seu negócio é pop, ou uma MPB mais alternativa: Você vai adorar! E se é para trazer o “iê iê iê” de volta, que seja assim, com os versos que o mundo atual precisa ouvir. Estas são características raras de um álbum de estreia que já chegou em todas as plataformas digitais de música, e também já anda circulando por aí em formato físico. 

A banda formada em 2013 conta com Haynna Jacyara nos vocais, Rian Sodré (baixo), Jhonata Pikeno (bateria), Daniela Vieira (teclado) e Betinho Matuszewski (guitarra). Gravado no Estúdio Refinaria em outubro (2018), o álbum produzido por Alan Pinho se define com muita psicodelia distribuída em todo o trabalho. A incrível arte gráfica foi desenvolvida pelos conterrâneos de Haynna, os piauienses Andrei Nunes e Mozart Menezes, que além da capa, fizeram um desenho diferente para cada uma das dez músicas do disco. E você pode conferir todas elas pelo canal da banda no YouTube, e aproveitar, é claro, para curtir as músicas.


“Eu te acho, no meu diário a ser aberto, e nas canções do Roberto, você está...”. O verso da música “Retrato Falado” revela nossa fabulosa jovem guarda, como uma das influências. O estilo é notado não só nas frases diretas de Haynna, mas também no instrumental sofisticado, porém, livre do pudor de passear também pelas ondas bregas da nossa música. E isso é ótimo. 

Falando em versos diretos, a romântica “Love Song”, já bem conhecida para os que acompanham a banda desde o início, é talvez uma das faixas mais fortes do disco. As frases marcantes, alongadas, e que pretensiosamente desafia os espaços de tempo dos acordes, são forradas por um blues apaixonante. A guitarra solo de Betinho, divide a canção entre a reflexão do texto e a despedida da música. O que a deixa com um gostinho de “já acabou? Preciso ouvir de novo...”. Mesma sensação ao ouvir as belíssimas “No Canto” e “Pão de Lu/ Insônia”, que apesar de mais longas, ainda sim nos deixam viciados pelas poesias concretas cantadas por Haynnna.

A música “Beijos e Cacos” é uma linda balada acelerada pela pegada do Rock. Uma declaração de amor que foge do lugar comum, onde as palavras fincam no peito e dificilmente são extraídas. A melodia pop parece consolar o desespero dos versos, e o resultado é a medida certa entre quantidade de tempero e conteúdo. Na minha humilde opinião, uma ótima faixa para se trabalhar; rolar nas rádios e apresentar a banda ao resto do Brasil. 

“Falem mal, mas falem de mim. Falem bem, mas pensem em mim”. O Rock incisivo de “Holograma” tem pesados riffs acompanhados do belo órgão tocado pela musicista Daniela Vieira, que por sinal, trava uma bela disputa com a guitarra. A batalha dos versos contra o preconceito e falta de personalidade completam o objetivo da canção: dar um ótimo recado com atitude e entusiasmo. As mesmas características podem ser ouvidas em “Verde”, que completa o diálogo repetindo os versos: “Não me admire, não se admire não”

Um jazz intimista, com características contemporâneas de um “Radiohead” pós anos 2000, vem com a faixa “Você”. Música romântica com poesia crescente e avassaladora. O instrumental jazzístico é quebrado conforme as frases na voz de Haynna vão se exaltando. O notável órgão que permeia com sua qualidade em todo o disco, é o que traz de volta na canção, o que a banda apresenta em todo o álbum: a personalidade. 

O quinteto nos presenteia com outro experimentalismo surpreendente na faixa “Mistério”, que tira qualquer dúvida sobre quem se pergunta se este é um disco de Rock. É sim! Tanto pelo contexto das letras quanto pela sonoridade. São dez faixas que agradam todos os ouvidos que presam pelo gênero. Se você é roqueiro, escute e se revigore. Se não é, boa viagem também.

Parafraseando o maluco beleza na canção "S.O.S", Haynna e os Verdes podem soar como “A moça e os moços do disco voador”: pelo lúcido passeio psicodélico que fazem pelo nosso tempo; resgatando o que de melhor existe em suas influências com poesia inteligente e a importante mensagem do amor, da atitude e do respeito. As impressões que ficam? Bom... É novo, é antigo, é contemporâneo, subversivo, nostálgico e atual. Ou seja, todas as características que uma obra precisa para ser, de fato...atemporal!

Ouçam!

FICHA TÉCNICA:
Haynna e Os Verdes
Gravado ao vivo no Refinaria Estúdios em outubro de 2018
Direção musical, gravação, mixagem e masterização: Alan Pinho
Assistentes de gravação: Marcelo Seabra e Diogo Mutti
Edição: Marcelo Seabra
Arte e capa: Andrei Nunes e Mozart Menezes
Produção Executiva: Aisla Amorim
Produzido por Alan Pinho
Co-produzido por Haynna e Betinho Matuszewski
Voz: Haynna
Guitarra e violão: Betinho Matuszewski
Teclado: Daniela Vieira
Baixo: Rian Sodré
Bateria: Jhonata Pikeno
Baixo na música "Você": Alan Pinho

RESENHA por: Bruno Caetano



SOBRE A BANDA:

Formada em 2013, atualmente, a Haynna e Os Verdes é integrada, por Haynna (vocais), Betinho Matuszewski (guitarra), Rian Sodré (baixo), Jhonata Morais (bateria) e Daniela Vieira (teclado), músicos de diversas vertentes musicais que compõem o grupo.