Música

Minha companhia é Elizeth Cardoso
por Mila Ramos

terça, 26 de setembro de 2017

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De família humilde, Elizeth Cardoso nasceu em um cortiço no Rio de Janeiro, próximo ao Morro da Mangueira e desde criança trazia consigo o sonho de se tornar uma grande cantora. Seguindo ao seu instinto juvenil, sempre à frente de seu tempo, já aos 8 anos organizava pequenos shows na vizinhança onde morava. Era o que gostava de fazer nos seus finais de semana em Jacarepaguá. Montava um palco improvisado, cobrava 1000 réis o ingresso, juntava os seus amigos e o show começava. Mas só aos 16 anos, em uma festa na casa de sua tia, que ela foi descoberta com Pixinguinha, Jacob do Bandolim e Dilermando Reis. Jacob ficou estupefato pelo impressionante talento vocal da jovem moça e a levou para um teste na Rádio Guanabara; o trampolim para a carreira de Elizeth.

Saltando para os anos de 1950, Elizeth emplacou o seu primeiro grande sucesso "Canção de Amor". Conquistou lugar de destaque na história da música popular brasileira em 1958, ano em que gravou o antológico disco "Canção do Amor Demais" - considerado o marco inaugural da Bossa Nova - todo dedicado à dupla Tom e Vinícius, além do acompanhamento de João Gilberto em "Chega de Saudade" e "Outra Vez". Depois vieram mais 56 discos. Neste ano, Elizeth ganhou também o título de "A DIVINA", pelo jornalista Haroldo Costa.

Da época da bossa nova veio a amizade com Baden Powell. Falar dele deixava Elizeth emocionada: "O Baden é aquele filho que eu gostaria de ter. Porque ele gosta tanto do meu filho que de repente eu amo o Baden como se ele fosse o meu filho número 2" (em entrevista realizada para o Globo Repórter dia 05/11/1986).

Foi ao lado do violonista que Elizeth estreou o programa "Nossa Elizeth", na TV Continental, em 1960 e com ele seguiu uma longa trajetória de sucessos. Em 1963 gravou o LP "Elizeth interpreta Vinícius", com parcerias do poeta Nilo Queiroz, Vadico e Baden, que teve uma belíssima atuação no disco. Em 1965 conquistou o segundo lugar na estreia do Festival de Música Popular Brasileira ao defender a música "Valsa do amor que não vem" (Baden/Vinicius), ficando Elis Regina em primeiro lugar com "Arrastão" (Edu Lobo/Vinicius). Em 1966, lançou um LP com participação de Pixinguinha, Clementina de Jesus, Cartola e Codó, produzido por Hermínio Bello de Carvalho, intitulado "A Enluarada Elizeth". Seus grandes sucessos neste ano foram "Apelo" (Baden/Vinicius) e "Meiga Presença" (Otavio de Moraes/Paulo Valdez). Em 1970, Elizeth gravou "É de lei", "Aviso aos navegantes", "Carta ao poeta" e "Refém da Solidão", quatro novas parcerias de Baden e Paulo Cesar Pinheiro. A partir de então, Elizeth se tornou uma das mais brilhantes intérpretes da dupla.

Foram muitas horas de "voo" musical entre a dona da voz grave e carregada de emoção, a mais brasileira de nossas cantoras, Elizeth Cardoso, ao lado de que fora seu violonista, amigo e seu sempre adorado, Baden Powell. Uma parceria que até hoje traz saudade pra muita gente.

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