Música

Nelson Angelo lança 'O Pensador' pela Rocinante

terça, 10 de dezembro de 2019

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Aos 70 anos, Nelson Angelo decidiu revisitar a própria obra, repleta de melodias e harmonias entre as mais inspiradas da canção brasileira, e um empenho incessante desde os 10 anos, quando a música o levou ao primeiro professor de violão. Parceiro de Pixinguinha, Milton Nascimento, Ronaldo Bastos e Cacaso, entre muitos outros, o compositor, cantor e guitarrista lança “O Pensador”, pela nova gravadora Rocinante.

Ouça agora "O Pensador" (clique aqui)!


“Tô com tudo em cima. Desde meados dos anos 60 na música, nunca parei de trabalhar. Conheci alguns de meus grandes parceiros aos 15 anos e, desde então, toquei de tudo, cantei, fiz arranjos e agora virei produtor do meu trabalho, o que é muito instigante”, conta o artista mineiro, radicado no Rio de Janeiro há 50 anos.

“O Pensador”, que ocupa o 13º lugar na sua discografia, traz novas versões de músicas conhecidas e uma inédita. “O disco é todo bem costurado. Cada faixa simboliza um remendo da minha história”, reflete um dos compositores do emblemático Clube da Esquina. A faixa de abertura, “Dendágua” (de Nelson com Márcio Borges), lançada apenas na França na década de 1980, sempre causou impacto profundo em Guinga, amigo de longa data.


Nelson foi escolhido para ser um artista raro, profundo, original, que sempre me surpreende maravilhosamente. Também vou fazer 70 anos e poucos criadores me emocionam como ele. Ele não perde tempo com as alegorias da música. O que interessa é a essência, sempre genial”, exulta o compositor e violonista consagrado.

Das doze faixas, três vieram do álbum “Nelson Angelo e Joyce”, de 1972: “Ponte nova”, “Hotel Universo” e “Tiro cruzado”. A primeira segue atualíssima; a segunda recebe pela primeira vez a voz do próprio compositor ; a terceira é uma das composições mais interpretadas do artista, com versões de Sérgio Mendes, Tom Jobim (1927-1994) e Miúcha (1937-2018), por exemplo.

“A harmonia de ‘Tiro cruzado’ é considerada original porque dá aquela entortada e leva o samba para o jazz, com africanidade”, explica.

“Testamento” foi composta com dois dedos, o indicador e o médio, porque Nelson estava com o anelar e o mindinho da mão esquerda quebrados na ocasião. Porém, o final foi mais do que feliz: Milton Nascimento se encantou com a música e veio com a letra fresquinha para o parceiro logo em seguida. Esta e “Canoa, canoa” (de Nelson e Fernando Brant) estão imortalizadas no antológico “Clube da Esquina 2”, de 1978.

Faixa de abertura do extraordinário “Geraes” (1976), mais um disco do Milton, “Fazenda”, composta só por Nelson, entra neste lançamento com novos arranjos e outra forma de cantar, além de uma orquestração suave. Composição dos anos 70, “Simples” é “uma conclusão de que o mundo não muda nunca certas coisas, em tempo nenhum e a gente sempre mantém a esperança simbolizada numa criança”, reflete.

Originalmente gravadas por Nelson com Naná Vasconcelos (1944-2016) e Novelli, as faixas invertidas “No sul do polo norte” e “No norte do polo sul” também foram convocadas para o novo disco e vibram numa concepção afro jazz. Raul de Souza, com seu trombone inconfundível, ilumina “Reis e rainhas do maracatu” (Milton, Nelson, Novelli e Fran), vencedora do Carnaval de Três Pontas, em Minas, de 1980.