Cultura

O IMMuB conversa com o colecionador e pesquisador Nirez
Entrevista por: Equipe IMMuB

sexta, 16 de abril de 2021

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O jornalista, colecionador e pesquisador Miguel  Ângelo de Azevedo, mais conhecido como Nirez (apelido que ganhou quando ainda era bebê) é dono de um dos maiores e mais importantes acervos fonográficos do país. Com enfoque nos discos de 78 rotações, é também autor de livros, radialista e referência na história de Fortaleza, sua cidade natal. 

Por e-mail, a equipe do IMMuB conversou com Nirez sobre sua trajetória como colecionador, o ofício da pesquisa musical e sua importância para a memória musical brasileira. 

Confira logo abaixo! 

IMMuB: Recentemente você digitalizou fotos de artistas que gravaram discos de 78rpm para compor o banco de dados do IMMuB. Pode nos contar sobre os cuidados de armazenamento que tem com estas imagens e como enfrenta as deteriorações causadas muitas vezes em detrimento do tempo, como mofo, descolorações e imperfeições?

Nirez: Tenho muito cuidado com o armazenamento de todo o material constante do Arquivo Nirez, desde os discos, fotografias, rótulos, jornais, revistas, etc. As fotografias, tanto individuais quanto em grupo, são guardadas em envelopes dentro de um armário de aço que garante que fiquem isentas de insetos e da umidade, além da proteção à luz solar. Cada envelope traz o nome de quem está lá fotografado. Essas fotos são digitalizadas e na digitalização colocadas em pastas por ordem alfabética de sobrenome e quando se trata de um grupo de pessoas coloco uma cópia em cada pasta de cada pessoa presente na foto.


IMMuB: Seu pai, o Sr. Otacílio Ferreira, teve grande influência para a formação do seu primeiro acervo. Houve outras pessoas que lhe inspiraram? Em qual momento que você soube que seria este o seu ofício? Quando surgiu sua paixão pela pesquisa?

Nirez: Meu pai, Otacilio de Azevedo, era fotógrafo, escritor, poeta e membro da Academia Cearense de Letras e realmente me influenciou para minhas coleções, mas infelizmente ele não tinha nada guardado porque como fotógrafo ele foi itinerante e por isto não dava para guardar nada.

Eu sempre fui muito curioso, e como tal comecei a colecionar tudo o que me aparecia, como carteiras ou maços de cigarros, caixas de fósforo, rótulos de alimentos, bebidas, etc. E em consequência coleciono também álbuns de figurinhas de balas, cigarros, vendidas em envelopes, etc.

Sou um apaixonado pela música brasileira, que considero a mais rica do mundo, feita em cerca de 60 ritmos distintos considerando a fase de ouro o período de 1929 a 1939, não por saudosismo, mas por observação de fatos. Os Estados Unidos da América, após a Primeira Guerra Mundial, passou a gerir a cultura mundial e todos os países faziam músicas no seu estilo até a queda da bolsa de Nova York, em 1929, quando todos os países do mundo se livraram da influência norte americana e cada um produziu sua própria música até 1939, início da Segunda Guerra Mundial, quando novamente os EUA voltaram a influir mundialmente na músicas de todos os países.


IMMuB: Que conselhos  você daria e o que acha importante dizer para novos pesquisadores interessados na nossa memória musical, que estão começando a montar seus acervos próprios? Que facilidades ou dificuldades eles podem vir a ter?

Nirez: O conselho que eu daria aos que estão começando agora é que tenham cuidado no armazenamento e que evitem por tudo principalmente o cupim e a umidade e evitem expor à claridade fotos, retratos, paisagens etc, que podem desbotar. Quanto ao resto dos suportes como discos e fotografias atuais, estão mudando muito rapidamente, de forma que eu posso hoje aqui recomendar algo na tecnologia atual e dentro de pouco tempo tudo pode mudar.


IMMuB: Pensando na importância da memória musical brasileira, como você encara o fato de possuir um dos maiores e mais importantes acervos fonográficos do país, composto integralmente por discos nacionais?

Nirez: Considero o meu acervo fonográfico muito importante, mas eu coleciono somente discos do período das gravações mecânicas (1902 – 1926) ou das gravações elétricas (1927 a 1964). Deixo para outros pesquisadores a tarefa de colecionar LPs e compactos, e outros suportes.

Foto: Igor de Melo (Reprodução/G1) 

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