Colunista Convidado

O pianista e arranjador Hamleto Stamato exibe outra face em 'Autoral'

quinta, 28 de janeiro de 2021

Compartilhar:

Filho do saxofonista e flautista homônimo, que se destacou na banda de campeões instrumentais do bruxo Hermeto Pascoal, o pianista, compositor, arranjador e produtor musical Hamleto Stamato, aos 33 anos de carreira, desembarca seu nono álbum, o independente “Autoral”. Já disponível nas plataformas digitais, lojas de discos remanescentes e no site do artista (www.hamletostamato.com), ele traz nove faixas, entre inéditas e regravações, todas da própria lavra do solista, como anuncia o título. Hamleto vive na ponte Brasil-Holanda, e começou a gravar o novo disco em fevereiro de 2020, no Rio, com recursos de crowdfunding. De volta à Holanda, em março, já sob a devastadora pandemia, ele produziu e registrou remotamente o restante do disco. Com ele, músicos brasileiros de estirpe, como Vittor Santos (trombone), Marcelo Martins (saxofone), Jessé Sadoc (trompete, flugelhorn), Erivelton Silva (bateria) e Augusto Mattoso (baixo). Ele contou ainda com os doze violinos, seis violas e quatro cellos da St. Petersburg Studio Orchestra, gravados na cidade do mesmo nome, da Rússia, sob a regência do maestro brasileiro Kleber Augusto.

Formado Bacharel em Música pela Universidade Estácio de Sá, no Rio, ele fez curso de aperfeiçoamento técnico com os professores Sonia Maria Vieira e Luiz Antonio Gomes e de harmonia e arranjo com o maestro Vittor Santos. Profissional desde o final dos anos 80, já tocou com Tim Maia, Danilo Caymmi, Pery Ribeiro, Rosa Passos, Leny Andrade, Marisa Gata Mansa, Raul de Souza e Claudia Telles. Em 2005 foi produtor musical e arranjador do programa “Fama 4”, da TV Globo e trabalhou no programa “Estação Globo”, entre 2006 e 2009. Sua aclamada estreia solo, em 2003, no disco “Speed samba jazz” seria transformada numa série de cinco CDs, pelo selo Delira Música. Em 2009, saiu seu primeiro DVD, “Gafieira jazz”. Em 2016, homenageou seu pai, no “Tributo a Mileto”, e em 2018, lançou “Ponte aérea” (Fina Flor).

Foto: Marina Stamato

“Autoral” abre alas a mil com a acendrada inédita “Lambassa”, que mescla salsa e sambossa, nas reviradas estonteantes da bateria, o piano revolto e os sopros em descaídas dissonantes, de arrepiar. O lirismo levemente bossa nova de “Cris” surpreende não apenas pela mudança de clima, mas também pela letra em que a musa é a esposa (“eu vou pra beira do mar/ caminhando na areia/ eu vou chegando na beira/ vou encontrar seu olhar”). É a única faixa cantada, na voz bem colocada do próprio Hamleto. “Bodas” é outra inédita, também cadenciada, lenta, com a densidade esculpida pelas cordas da St. Petersburg Orchestra. Elas também adornam “Bossa pras meninas”, com atmosfera mais intimista. “Com salsa” entrega o que promete o título, num embalo caribenho de rodopios e retomadas.

Mas os principais idiomas de “Autoral” oscilam entre a ginga vertiginosa de “Samba pra mama” e as sincopas certeiras de “Bossa pra Mimi”. O encadeamento de sopros e cozinha percussiva é digno de artesanato. Conclui os trabalhos a serena “Nova”, de tema insinuante e reiterado, obra madura de músico que sabe construir narrativas através dos instrumentos e arranjos. “Esse projeto tem uma enorme importância para mim, pois consegui reunir boa parte das minhas composições num disco. Tive o prazer de produzir e fazer os arranjos e ainda pude contar com as participações de grandes músicos amigos. Estou muito feliz com o resultado”, exulta Hamleto.

Tárik de Souza

Comentários

Divulgue seu lançamento