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Odair Cabeça de Poeta em: O fórro, o forrock, o hip-hop e... o Bátima

quarta, 15 de janeiro de 2020

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Odair quem? Cabeça de poeta, meu nobre, ou minha nobre; artista baiano que merece ter sua emblemática carreira revisitada.

Pouco conhecido por parte do grande público, talvez em virtudes dos longos períodos de sumiço, o que soma aos seus feitos esse ar de mistério; a obra de Odair se entrelaça com nomes bem conhecidos do cenário musical brasileiro, do teatro, da TV, com um famoso grupo norte-americano de hip-hop; e com o... "Bátima"; mas vamos por partes.

Instrumentista, compositor, irreverente, inventivo; alguns dos adjetivos que se aplicam bem ao artista.

Após se mudar para o estado de São Paulo, formou com baixista Pedrão Baldanza (que posteriormente viria a formar o icônico grupo de rock progressivo Som Nosso de Cada Dia), e o guitarrista francês Jean; o conjunto de baile "Os Enigmas 3", onde Odair era responsável pela bateria.

O grupo contou posteriormente com a entrada de um jovem e extremamente talentoso guitarrista recém-chegado da Bahia. De quem estamos falando? O Deus da guitarra Pepeu Gomes, que acabou indo parar nos Novos Baianos, onde Odair também esteve presente, tendo gravado inclusive o primeiro compacto do grupo.

Já enveredando por sua carreira solo, na década de 70, Odair apresentou espetáculo no Teatro de Arena de São Paulo, inicialmente dividindo o horário do espetáculo com a atriz Nicette Bruno, que junto com o ator Paulo Goulart encenavam uma peça de teatro.

Nesse período foi formado o grupo Capote, que tem como origem de seu nome o acrônimo "CAnto, POesia, TEatro, com quem Odair desFRUTOU seu maior período de sucesso, contando com a produção de ninguém menos que Tom Zé, com quem manteve profícua parceria.

O grupo tinha em sua formação Toninho Reis (bateria), Coelho (violão e guitarra), Matias (percussão), Edgard e seu "violaxo", como Odair se refere ao que seria uma mistura de violão e contrabaixo; contando ainda depois de algum tempo com a entrada do grande Oswaldinho do Acordeon, conhecido por acompanhar diversos artistas não só do Brasil mas também do exterior.

Eis que começaram as misturas, como a que deu origem ao autoexplicativo Forrock, onde passou a usar novas abordagens para gêneros musicais como o forró e o baião.

Odair e o grupo Capote começaram a atrair a atenção e em uma dessas foram convidados por Chacrinha para lançar em seu programa a música "Feira da Fruta", presente no álbum "Grupo Capote no Forrock", em uma noite que por conta da decoração que remetia ao nome da música a ser lançada, o Velho Guerreiro teve a grande sacada de incorporar as frutas ao seu estilo e assim surgiu uma das marcas mais famosas de seu programa.


Quanto à música lançada, gerou uma série de problemas com a censura, onde por conta do período da Ditadura foi proibida; tendo rendido um boicote ao artista, sendo inclusive proibido de entrar em rádios e dar entrevistas.

A carreira de Odair seguiu adiante, realizando shows e gravando álbuns como o genial "O Forró Vai Ser Doutor", do ano de 1975, que conta com a sensacional faixa de nome "A Dor é Curta e o Nome Cumprido", que faz bater uma vontade forte de sair dançando forró e rabiscar o chão até sair faísca; mas... Uma galera lá fora descobriu essa pérola e assim como Odair o misturador, misturaram o forró com o hip-hop, por meio do sample que foi utilizado como base para a mundialmente conhecida música "The Art of Getting Jumped" do grupo De La Soul.

Odair é um daqueles artistas que não dá para saber ao certo se por falta de oportunidades ou por realmente ter seus períodos de afastamento, não tem o devido reconhecimento; mas está em tempo, vale garimpar suas obras, vale conhecer sua letras irreverentes e sua musicalidade, onde sua cabeça que é de poeta, também criou sonoridades incríveis.

Bem! Faltou a relação com o "Bátima". Para quem conhece, ou não, a clássica série do Batman produzida nos anos 60, em que o homem morcego é interpretado pelo ator Adam West, se ainda não viu, precisa ver a paródia feita para um episódio da série, que recebeu o nome de "Feira da Fruta", inspirada na música de Odair e que é a trilha utilizada.

Vale dar uma olhada...

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