Cobertura IMMuB

Paulinho no Circo: uma noite que pra sempre se pode sonhar

por Caio Andrade

segunda, 11 de julho de 2022

Compartilhar:

Sábado, 22h da noite nos arredores da Lapa não é muito difícil encontrar um passatempo: uma roda de samba aqui, uma balada acolá, um barzinho, vai muito do gosto pessoal. Porém, um programa que chamou atenção com certeza foi o show do grande mestre Paulinho da Viola no Circo Voador.

Com apresentação única e ingressos esgotados semanas antes do espetáculo ocorrido dia 09/07, o IMMuB teve o prazer de fazer a cobertura deste show memorável tanto para o público quanto para o artista principalmente por conta de um contexto ainda “pós-pandêmico” de isolamento.


Logo no início, em memória de Monarco (1933-2021) e Elifas Andreato (1946-2022), figuras importantes na vida de Paulinho e da música brasileira, ao invés de um minuto de silêncio houve na verdade um minuto de barulho, com muitos aplausos e gritos à plenos pulmões.

Paulinho entra em cena e abre então o show com “Coisas do Mundo Minha Nega”. Mesmo uma letra extensa como essa era cantada do início ao fim pela multidão. Ao longo do show, inúmeras demonstrações de carinho com gritos de “Lindo!”, “Perfeito!”, “Maravilhoso!” e até “Vasco!”. E ele ria no palco.

O repertório inicial do show contou com canções que compõem mais o lado B do extenso repertório do artista e algumas presentes no álbum mais recente lançado em 2020, “Sempre Se Pode Sonhar”. Dentre essas, constam “Retiro”, “Ela Sabe Quem Eu Sou” e “Roendo as Unhas”, não menos cantadas que clássicas como “Coração Leviano” ou “Dança da Solidão”.


Três momentos também merecem destaque: antes de cantar “Para um Amor no Recife”, gravado há mais de 50 anos, Paulinho contou a belíssima história por trás dessa canção. Ao contrário do que muitos pensavam, não tinha sido escrita para uma namorada, e sim para uma senhora que o gostava muito e o recebeu em sua casa quando ele foi para Recife. A senhora, Maria José Aureliano ou Dedé Aureliano (ele fez questão de dizer o nome), chegou a pedir permissão para a mãe de Paulinho para chamá-lo de “filho”.

Algumas músicas mais tarde, assim que mencionou o grande Monarco e começou a cantarolar “Portela, eu às vezes meditando…”, instantaneamente o público o acompanhou e todos cantaram à capela a primeira parte em uníssono. Por último, logo antes de se despedir e encerrar o espetáculo, relembrou Clementina de Jesus (1902-1987) e cantou sem nenhum acompanhamento um trecho de “Tava Dormindo”.

Em mais de 20 músicas, Paulinho cantou e encantou uma plateia que não parava de o admirar em um só instante, incluindo quem vos escreve. E não é pra menos: ele demonstrou em cerca de 2h de show o porquê de ser um dos últimos grandes sambistas vivos, dono de uma importância histórica imensurável.

Visivelmente emocionado (ou suado, se não ambos) e prestes a completar 80 anos de vida, Paulo César Batista de Faria provou que ainda tem muita lenha para queimar. Sorte de quem pôde apreciar de perto. O que será que veremos, ou no caso, ouviremos, em seguida? Definitivamente foi uma noite para guardar na memória, ou melhor, uma noite que pra sempre se pode sonhar.


Um agradecimento em especial ao Circo Voador, por abrir as portas para o Instituto mais uma vez, e também à Cecília e João, filhos de Paulinho, que gentilmente deram uma rápida palavrinha e não se negaram a nos atender.

Viva Paulinho da Viola, viva o samba, viva o Circo Voador e viva a memória musical brasileira!


Fotos de Mylena Godinho

Comentários

Divulgue seu lançamento