Tema do Mês

Roberto Carlos 80: os protestos ecológicos
CAPÍTULO 3

terça, 20 de abril de 2021

Compartilhar:

Para celebrar os 80 anos de Roberto Carlos, completados no dia 19 de abril, o IMMuB vem produzindo uma série especial de artigos com playlists comentadas sobre algumas canções temáticas que o Rei produziu ao longo de sua carreira. 

Notoriamente avesso a posicionamentos sobre política partidária, Roberto Carlos nunca evitou falar de outras temáticas sociais mais específicas. A preocupação com questões ambientais sempre foi uma grande preocupação sua, que em muitas ocasiões se transformou em verdadeiros manifestos ecológicos em forma de música. 

Relembramos alguns exemplos aqui. Confira logo abaixo! 

O Progresso” (1976)

Primeiro protesto ecológico lançado por ele, feito em parceria com Erasmo Carlos, “O Progresso” fala do ônus ambiental dos grandes avanços da civilização. Na letra, ele reclama da poluição, da caça às baleias, do desmatamento, do comércio das armas e do Petróleo, que ele chama de “negro veneno”. No final, ele conclui: “Não sou contra o progresso/ Mas apelo pro bom-senso/ Um erro não conserta o outro/ Isso é o que eu penso”. 


O Ano Passado” (1979)

Lançada no LP de 1979, “O Ano Passado” retoma a mesma temática de “O Progresso”, mas de forma ainda mais incisiva. Na letra, ele e Erasmo lamentam que problemas como o desmatamento da Amazônia e a poluição dos rios fossem subjugados pela lógica do dinheiro: “Diante da economia/ Quem pensa em ecologia?/ Se o dólar é verde é mais forte que o verde que havia/ O que será o futuro que hoje se faz?/ A natureza, as crianças e os animais...”. 


As Baleias” (1981)

O extermínio das baleias já havia sido mencionado nas duas músicas anteriores, mas foi o tema principal do manifesto lançado no disco de 1981. Aqui, Roberto e Erasmo se dirigem diretamente aos responsáveis pelas caças, quase um apelo pessoal pelo fim daquela tragédia ambiental: “Como é possível que você tenha coragem/ De não deixar nascer a vida que se faz?/ Em outra vida que sem ter lugar seguro/ Te pede a chance de existência no futuro”. 

No fim, eles davam um conselho positivo, de que ainda havia tempo de parar com tudo aquilo: “Mudar seu rumo e procurar seus sentimentos/ Vai te fazer um verdadeiro vencedor/ Ainda é tempo de ouvir a voz dos ventos/ Numa canção que fala muito mais de amor”. 


Águia Dourada” (1987)

Menos panfletária que as anteriores, nessa música pouco conhecida do disco de 1987, Roberto e Erasmo exaltam a relação de respeito da comunidade indígena com a natureza e se utilizam da imagem da águia dourada para falar de tragédias ambientais: “Natureza que reclama/ Flores, folhas, verde vida/ Rios, mares se derramam pela terra tão ferida/ Ventos pedem, choram e chamam”. 


Amazônia” (1989)

Mais uma parceria de Roberto e Erasmo, essa música é a faixa de abertura do disco que estampa na capa uma foto de Roberto usando como brinco uma pena de águia. Com arranjo imponente, a canção é um manifesto pela preservação da maior floresta tropical do Brasil, que poderia ter sido escrita ontem: “Quem desmata, mata/ Não sabe o que faz/ Como dormir e sonhar/ Quando a fumaça no ar/ Arde nos olhos de quem pode ver/ Terríveis sinais de alerta, desperta/ Pra selva viver/ Amazônia, insônia do mundo”. 


Conhece mais algum manifesto ecológico de Roberto Carlos? Deixe nos comentários! 

Texto por: Tito Guedes 


Esse texto faz parte de uma série em homenagem aos 80 anos de Roberto Carlos, com playlists comentadas de várias músicas temáticas compostas pelo Rei. Confira todos os capítulos desse especial: 

Capítulo 1: A "músicas de motel" do Rei

Capítulo 2: As mensagens religiosas 

Capítulo 3: Os protestos ecológicos (lendo agora) 

Capítulo 4: Os tipos femininos 

Comentários

Divulgue seu lançamento