Música

Soledad lança clipe de teor político e inspirado na cultura nordestina

quarta, 03 de fevereiro de 2021

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Artista cearense radicada atualmente em São Paulo, Soledad lança, em suas principais plataformas digitais, o clipe de “2013”. A música, composta por Jonas Sá, Negro Leo e Santiago Botero Rodriguez, faz parte do seu segundo disco, “Revoada”, lançado pela Índigo Azul (SP) em 2019. Trata-se de um recorte temporal emblemático na história do País e em sua própria vida, uma vez que esse foi o ano em que uma série de acontecimentos culminou numa tragédia. Assim, tanto a música quanto o vídeo, que contou com a direção de Julia Moraes, busca pensar em respostas e soluções para “suspender o céu que insiste desabar sobre nós”.

“2013 transformou minha relação com o Brasil. O golpe se inicia ali e isso pediu que eu pensasse num lugar de militância para além do feminismo. Isso incidiu diretamente no que eu criava e reverbera até hoje em quem sou, já que meu corpo político e meu corpo artístico são uma coisa só. E é justamente por isso que 2013 sintetiza poeticamente todos esses acontecimentos e sentimentos”, afirma a artista.

Foto: Divulgação 

O clipe busca inspiração na figura iconográfica dos papangus, figuras que representam a alegria das festas do Nordeste, como carnavais, reisados e até funerais. E é com essa fantasia, e com o coração repleto de vida, que Soledad vaga por um território de esquecimento, representando aqui na Bacia do Mercado, em Santos, o maior porto da América Latina.

Entre os visíveis e os invisíveis, os espectadores seguem com Soledad em busca de encantamento. Em “2013”, insistir, resistir e dançar se transformam em uma verdadeira experiência visual e sonora. “A beleza também é importante para uma existência revolucionária. Ela mantém a esperança pulsante, é o que nos mantém respirando”, destaca a cantora.

O clipe também é inspirado no movimento feminista zapatista. A narrativa dessa “papangu feminista zapatista pós-apocalíptica” foi criada a partir da ideia de encantamento desenvolvida pelos escritores Luiz Rufino e Ailton krenak. Nessa época, Soledad estava em Santos, desenvolvendo um projeto na residência artística "Artes e Comunidades'' do Instituto Procomum. “A pandemia alterou o desenvolvimento do projeto, o que me fez pensar que poéticas transformam o corpo num território expandido. Por isso, joguei meu corpo ao mar na bacia do mercado”, conta a artista, ao falar do processo criativo.

Assista agora ao clipe:


Encaminhado por: Bebel Medal

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