Supersônicas

“Som, estilo & improviso” do genial Joel Nascimento, aos 80 anos
por Tárik de Souza

quarta, 27 de setembro de 2017

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Autor do definitivo livro “Choro, do quintal ao Municipal” (Editora 34, 1998), o cavaquinista Henrique Cazes idealizou e produziu uma fabulosa homenagem ao mago do bandolim Joel Nascimento, em seus 80 anos.

Abordando já no título as principais características que o tornaram um músico único, mesmo após os gigantescos antecessores Luperce Miranda (1904-1977) e Jacob Pick Bittencourt, o Jacob do Bandolim (1918-1969), “Som, estilo & improviso” (Independente) faz um inventário da carreira fulgurante deste técnico em raio X do IML, que começou na música quase como hobby. Além da coleção de fotos do encarte e do arguto ensaio de Cazes sobre a obra do carioca da Penha, que estudou piano no Conservatório Brasileiro de Música, a eclética seleção musical é de ouvir rezando.

Começa na engenhosa montagem de uma gravação caseira de “Doce de coco” (Jacob) com o irmão Joir, no violão 7 cordas, de 1970, e emenda num solo de bandolim com orquestra de cordas sob arranjo do maestro Geraldo Vespar e regência de Alceu Bocchino.

Há preciosidades como o “Concerto Grosso opus no. 11" em ré menor 2º movimento (Largo), do erudito italiano Vivaldi, com a Camerata Carioca e o luminar Radamés Gnattali, que dedicou a Joel o “Concerto para bandolim e cordas 3º movimento - Com espírito”, incluído no roteiro. A inusitada “Canção à Villa Lobos”, foi ditada a Joel por uma entidade espiritual recebida por sua mãe, em nome do homenageado.

De Pixinguinha, há um diálogo do bandolim com coral em “Lamentos”, gravado num Festival de Londrina, e o gingadíssimo “Devagar e sempre”, gravado numa roda de choro de estúdio. De Baden Powell e Vinicius de Moraes (“Apelo”, do LP de estréia de Joel, “Chorando pelos dedos”) à “Evocação de Jacob” (do citarista Avena de Castro), gravada numa temporada na Alemanha, não falta “Som, estilo & improviso” ao CD. Que encerra num registro de julho passado, ao lado do jovem João Camarero, no 7 Cordas, debulhando “Gotas de Ouro” (Ernesto Nazareth), com o octogenário em plena forma. 


Fonte da Imagem: http://bit.ly/2hxDUYc 


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